Uma das bases da maternidade
consciente é a desconstrução dos mitos relacionados a ela. O mito do instinto materno
como sendo inato e universal, da gravidez sem incômodos, do parto sem dor, do
amor compulsório e imediato pelo bebê... São tantos os mitos que o melhor mesmo é irmos por parte. Não para desmotivar,
chocar ou preocupar quem deseja ser mãe, mas sim para informar e oferecer fatos
e imagens mais próximas das várias realidades enfrentadas por mulheres que
optam por se tornarem mães, garantindo assim que um número cada vez maior de
mulheres tenha acesso a informações pertinentes sobre os vários aspectos da maternidade
a fim de poderem tomar uma decisão consciente sobre uma vida com ou sem filhos.
Um desses mitos é o de que o corpo não passa por uma transformação drástica durante a gravidez; de que o que muda mesmo são apenas os quilos a mais e que depois é só fazer dieta e emagrecer. E, hoje em dia, mas do que nunca, as mulheres sofrem a pressão de apresentarem corpos esbeltos e perfeitos pouco depois de darem à luz. Mas a verdade é que as profundas transformações que uma gravidez pode impor ao corpo feminino (cicatrizes, estrias, flacidez, envelhecimento precoce, dismorfia...) nem sempre são reversíveis. E pouco se fala nelas, porque elas raramente são discutidas e compartilhadas pelas mulheres. Quase sempre por vergonha.
Pensando nisso, a fotógrafa americana Jade Beall, se propôs a colaborar para o processo de redefinição do conceito do corpo da mulher bonita.
Segue a reportagem da BBC sobre o projeto dela:
Um dia ela entrou em seu estúdio com seu bebê de cinco semanas, tirou a roupa, e fez uma série de fotos. Era um corpo que ela não conhecia. Era um formato de corpo que ela nunca tinha tido antes da gravidez. E ela não gostou muito do que viu. Mas Beall decidiu publicar as fotos em seu blog de fotografia, com o intuito de compartilhar um outro lado da maternidade, que não costuma ser mostrado.
"Tantas pessoas me dizem, 'Oh, eu nunca vi um corpo como esse. Não quero que as pessoas achem as minhas fotos de mau gosto. Quero que elas olhem e digam, 'Oh, essa é uma mulher extremamente humana, ou, essa é uma mulher que tem cicatrizes e linhas com histórias para contar. Meu objetivo é ajudar essas mães a se sentirem dignas de serem chamadas de belas," concluiu Beall.
A mídia está cheia de imagens de corpos femininos. Mas não desses tipos de corpos. Por isso Beall fotografou mais de 70 mães que irão aparecer no livro, A Beautiful Body (Um Belo Corpo, em tradução livre), que deve ser lançado em janeiro de 2014. Ela não usou maquiadores, e não há nenhum tipo de retoque nas fotos.
O projeto A Beautiful body tem um lindo site, onde você poderá ler e ouvir histórias de mulheres que compartilharam informações sobre as mudanças que observaram em seus corpos após se tornarem mães e o pacto de silêncio e vergonha imposto até mesmo pelas pessoas mais próximas.



