sábado, 6 de outubro de 2012

Laura S. Scott


"Being childfree does not mean we don’t like children; it means we don’t care to have children of our own. We just want people to accept that: It’s okay to be different, and not everyone has to have kids to be fulfilled. I do know some people get so much joy out of their kids. I see it in my friends who have kids. And I don’t envy that, because I feel like I have so much joy in my own life. I appreciate theirs, and more power to them, but we have our own. This is our way of having joy."

"Nossa escolha de não ter filhos não quer dizer que nós não gostamos de crianças; significa que não queremos ter filhos. Nós apenas queremos que as pessoas aceitem isso: que não é errado ser diferente, e que nem todas as pessoas precisam ter filhos para se sentirem realizadas. Eu conheço algumas pessoas que são muito felizes com os filhos que têm. Eu observo isso na vida dos meus amigos que tiveram filhos. E eu não sinto inveja deles, porque eu sinto que tenho tanta alegria em minha vida. Eu respeito a vida deles, e desejo o melhor a eles, mas nós temos o nosso próprio jeito dde viver. Esta é a nossa maneira de ser feliz."

Laura S. Scott
Autora do livro Two is Enough

Frida Kahlo

Embora o filme Frida não seja baseado em um livro específico, mas sim no que se sabe sobre a vida da pintora mexicana e no que ela mesma deixou marcado no tempo em forma de quadros e palavras, vale a pena ler o Diário de Frida Kahlo desfrutando vagarosamente de cada página para só então correr pra locadora, alugar e assistir a cinebiografia dela. 

 



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Casais brasileiros sem filhos

"Em 1940, a mulher tinha em média seis filhos, hoje tem menos de dois, fazendo a população crescer mais devagar e ficar mais velha. Ao optar por uma família menor, a mulher entrou forte no mercado de trabalho: em 1969, elas eram 27,3% da força de trabalho, em 2009, 43,6%. A renda feminina trouxe a segurança para a mulher seguir seu caminho sem marido e os costumes chegaram à legislação, como a nova lei do divórcio, que dispensa a mediação do juiz. E, lembra o sociólogo Marcelo Medeiros, da UnB, o trabalho feminino distribuiu melhor a renda: menos filhos e mais renda ajudaram a reduzir a desigualdade.

Os casais sem filhos crescem e já chegam a dois milhões. São os dinks, sigla em inglês para “Dupla renda, nenhum filho.”

Leia mais sobre esse assunto na reportagem publicada no dia 25/08/12 no Jornal O Globo.

Uni-vos


Mulheres, irmãs de mundo, uni-vos contra a violência física, psicológica e emocional. Por que esperar até o dia 14 de fevereiro de 2013? Comecemos agora mesmo. 


sábado, 15 de setembro de 2012

A decisão de se tornar mãe


Trecho do artigo "Childfree: the way to be?"
Autora:
Andrea Newell
"A decisão de se tornar mãe representa uma mudança enorme e requer um investimento emocional, financeiro e de estilo de vida gigantesco por anos e anos. Como podemos culpar alguém por analisar honestamente suas esperanças e sonhos e decidir que se tornar mãe não é um deles? O que a nossa sociedade deveria fazer é encorajar e apoiar as pessoas que desejam se tornar mãe e pai, e aplaudir aquelas que se dão conta de que não compartilham do mesmo desejo. Forçar pessoas a aceitarem tamanha responsabilidade é a receita para a infelicidade de todas elas.
Muitas pessoas rotulam a decisão de não ter filhos de egoísta. Egoísta, em minha opinião, é ter filhos para então colocar as nossas necessidades e desejos acima dos deles, resentir o fato de os filhos demandarem um tempo que não estamos dispostas a dar a eles, e fazê-los sentirem que não foram desejados por nós. Dar-se conta de que você não quer seguir um determinado caminho simplesmente significa que você está ciente das demandas psicológicas, emocionais e financeiras que aquele caminho vai exigir e que uma criança não se encaixa nos planos de vida que você tem para si mesma."
Tradução: Nicole Rodrigues


Fonte: http://ecosalon.com/childfree-the-way-to-be/

domingo, 5 de agosto de 2012



“To
love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power. Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never, to forget… another world is not only possible, she is on her way. On a quiet day, I can hear her breathing.”

“Amar. Ser amada. Nunca esquecer sua própria insignificância. Nunca se acostumar à indescritível violência e desigualdade vulgar ao redor. Buscar a alegria nos lugares mais tristes. Buscar a beleza onde quer que ela esteja. Nunca simplificar o que é complicado ou complicar o que é simples. Respeitar a força, não o poder. Acima de todo, observar. Tentar entender. Nunca desviar o olhar. E nunca, nunca, esquecer… que um outro mundo não só é possível, como está a caminho. Num dia calmo, posso ouvi-lo respirar.”

Arundhati Roy
Escritora indiana


Tradução: Nicole Rodrigues



sábado, 4 de agosto de 2012

Por um bem maior



Por que publicar uma postagem sobre a humanização do parto em um blog chamado Útero Vazio? Porque, como diz a minha avó, o buraco é mais embaixo. A questão é mais ampla e mais complicada do que um simples: quero ter filhos ou não quero ter filhos. E se não quero, que se dane quem quer. Trata-se do conceito e da aceitação dos direitos humanos e, em especial, dos direitos das mulheres. Trata-se do direito à escolha. Trata-se do respeito à escolha. A nossa e a do próximo. Seja ela qual for.

Quem deseja não ter filhos e espera aceitação, deve também aceitar que há quem os deseje e respeitar esta decisão. Trata-se de uma via de mão dupla, de um acordo firmado em prol da civilização, da coabitação pacífica entre mulheres com ou sem filhos, porque, afinal de contas, o mundo é de todas nós.

Engravidar ou não é e sempre deverá ser um direito da mulher. Ainda que em nosso país o direito de interromper uma gravidez indesejada lhe seja negado por lei. Escolher como deseja parir um filho é um direito da mulher. Ainda que em nosso país esse direito lhe seja negado pelas políticas adotadas em maternidades, hospitais e clínicas, que se preocupam apenas em garantir o fluxo rápido, brutal e lucrativo de algo que se parece mais com uma linha de produção de bebês do que com o compromisso em garantir o bem-estar da mulher durante esta experiência única que é o parto.

Além da questão da péssima qualidade, há também a doutrina da quantidade, já que o sistema obstétrico brasileiro até nos diz quantos filhos devemos parir antes de decidirmos que chegou a hora de não mais parir. Ligar as trompas depois do primeiro parto? Nem pensar! O que significa que a mulher não é vista como dona de seu próprio corpo. Não é tida como um indivíduo, com condições, desejos e limitações particulares a serem levadas em conta quando ela deseja ter apenas um filho, parar no segundo, no terceiro, ou ainda, não ter nenhum. Ela é vista com uma célula de um exército de clones que deve desejar as mesmas coisas e agir da mesma maneira. Sempre.

Dentre os tantos direitos que parecem ser apenas respeitados em ponta de lança, quando a mulher ativa o seu módulo guerreira, esta o direito de parir em paz. Do primeiro e único, ou do primeiro ao segundo, ou do primeiro ao décimo, ainda que uma mulher tenha mais de um filho, cada parto será único, relevante e sempre lembrado. Portanto, cada parto deve garantir à mulher a humanização que lhe é de direito, uma vez que humana ela é.


Um parto humanizado afasta as chances de traumas emocionais, psicológicos e físicos, e de desapego em relação à criança que acaba de nascer. E todas as mulheres, inclusive as que não desejam parir, devem lutar ou, pelo menos, estar ciente da luta das mulheres pelo direito de parir seus próprios filhos com dignidade. Pelo direito de parir seus filhos acordadas e lúcidas em vez de drogadas; na condição de agentes ativos que testemunham e que são informadas sobre o que acontece e que possuem voz para dizer se querem ou não ser cortadas ao meio, ou de cima pra baixo ou de jeito nenhum; para dizer quando precisam descansar, quando desejam caminhar, quando desejam sentar, mudar de posição, beber um copo d’água, ver o marido, a mãe, os amigos; para berrar, chorar e espernear quando precisam e muitas outras coisas que lhes são negadas e vetadas em prol da agilidade dos procedimentos médicos atualmente adotados que não consideram as necessidades da mulher, da mãe, e que tratam seu corpo como uma embalagem, uma cápsula que deve ser aberta a golpes de bisturi e fechada logo em seguida para que haja tempo da equipe médica repetir este processo dezenas de vezes por dia e garantir o lucro da instituição onde trabalham.


Parto humanizado não é dizer como alguém vai parir, é simplesmente não dizer. É permitir que o parto aconteça ao seu próprio tempo, ao tempo da mulher. É reconhecer que se trata de uma experiência entre mãe e filho e que ambos devem ser considerados e respeitados neste processo.


Nós que não desejamos, não podemos ou ainda não decidimos se desejamos parir, também temos mãe, irmã, prima, amiga. E podemos lutar para garantir que o parto delas seja livre de qualquer tipo de violência. Façamos a nossa parte.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Além do que esperam de nós



Cá estava eu, matando a saudade das palabras da querida Lélia Almeida, quando leio este trecho do texto chamado "Leite de rosas":

"Gosto de um livro da Victoria Sau, uma feminista espanhola da velha guarda, maravilhosa, que se chama El vacío de la maternidade. Ela afirma que a maternidade não existe, no sentido de que não existe enquanto valor social, já que somos mães para os filhos dos homens, na história do patriarcado. Tudo o que enaltece as mulheres, um pretenso amor ou instinto materno, o acolhimento, a capacidade de cuidar, é o mesmo que nos perde já que somos descartadas nas horas das tomada das decisões legítimas. As mães sírias que o digam.

Para Victoria Sau, que retoma o pensamento de Riane Eisler de quem gosto muito, em algum momento da história do mundo as mulheres, que viviam numa relação de valorização, não de poder, ao lado de suas mães, numa linhagem matrilinear, foram sequestradas pelos homens que desta maneira, através do sequestro e do rapto enfraqueceram sua referência mais importante, a mãe, a avó, a filha, as amigas, as outras mulheres. Enfraquecer este vínculo é colocar a perder a irmandade, a cumplicidade e a comunidade de mulheres. E elas passam, então, a ter filhos para os homens. Portanto, diz Sau, a maternidade não existe, se as mulheres, como mães, servem aos homens, vivem para eles e não sabem quem são e o que querem, a maternidade não existe. E as mulheres se contentariam em parir os filhos numa espécie de inconsciência calando a boca com um pênis ou com um filho, ela radicaliza. Na verdade a autora faz alusão ao grande mal que o mito do amor romântico – que direciona a existência feminina para o casamento ou para o amor - e o mito do amor materno – que faz dos filhos a centralidade de suas existências - podem fazer à vida das mulheres, imbecilizando-as a elas e sua prole, num miasma de amor cujo objetivo da vida se situa na rede dos afetos pura e simplesmente e propõe que as mulheres usem esta potencia em outras frentes, que cuidem do mundo, oras, ou que não cuidem, e que cresçam e se desenvolvam de outras maneiras também, para além do que se espera delas."

Como tudo na vida, o ideal é deixar o radicalismo de lado e colocar em práticas os conceitos que se baseiam no raciocício lógico, no bom senso e no respeito as nossas necessidades individuais, para que possamos nos tornar pessoas realizadas e possamos contribuir para o todo ao qual pertencemos, compartilhando do bem-estar e da felicidade que nos permitimos conquistar.
 
Nicole Rodrigues

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Marisa Tomei


"I don't know why women need to have children to be seen as complete human beings."

"Não sei por que as mulheres precisam ter filhos para serem vistas como seres humanos completos."  


Marisa Tomei
Atriz americana


domingo, 1 de julho de 2012

Quanto custa um filho?



Quem acompanha este blog sabe que o foco principal dos meus posts e dos textos de outros autores aqui compartilhados são voltados aos fatores e aspectos emocionais da escolha de ter ou não ter filhos. A escolha, sempre ela, é a palavra de ordem deste blog. Qualquer que seja o seu sexo, religião, classe social, raça, idade ou nacionalidade lembre-se que este é um direito de todos nós e pelo qual devemos, juntos, lutar e respeitar sempre. 

Sendo assim, a escolha não poderia deixar de existir quando se fala em algo tão importante quanto o ato de gerar ou adotar um ser humano. Quem o faz deve fazê-lo porque quer, porque escolheu, e não porque deve, porque precisa ou porque pode.

Um fator que raramente discuto, mas que é de extrema importância, dado seu impacto social e emocional na vida da mãe/pai/casal, assim como na vida do filho, é a situação financeira da pessoa que decide gerar ou adotar. Ainda que o desejo esteja presente e a vontade de ser mãe ou pai seja latente, um filho requer bem mais do que isso. Desejo e amor não pagam as contas. Criança precisa de alimentação, roupas, cuidados médicos, educação, lazer... e tudo isso custa dinheiro.

Então que tal levar este aspecto em consideração na hora de decidir ter um filho? Embora não seja o fator mais importante - este, sem sombra de dúvidas, é o desejo genuíno de se tornar mãe/pai -, deve ser levado em consideração. Porque uma simples adição dos gastos iniciais pode ajudar não necessariamente a desistir da ideia, mas a repensar esta intenção ou a planejar a melhor maneira e o melhor momento para ter um bebê. E isso, por sua vez, pode evitar uma série de problemas e otimizar uma experiência que, caso contrário, poderia dar bastante errado pela simples falta de planejamento.

Uma conversa com um (ou vários) casal de amigos ou parentes que têm filhos, uma sincera avaliação do orçamento atual e uma projeção de gastos no futuro próximo e distante, papel, lápis e calculadora na mão podem ajudar a registrar alguns gastos iniciais. Outra coisa que talvez possa ser útil é este infrográfico que encontrei esta tarde, chamado "Quanto custa um filho". Não creio em resultados exatos, mas é possível que ele ajude indicando valores aproximados com base na sua renda mensal e anual.

Com ou sem infográfico, o que importa é reservar um momento à avaliação dos gastos fixos (emocionais, psicológicos, sociais e financeiros) na criação de um filho e à sincera reflexão sobre até que ponto você, de fato:
1) deseja ter um filho (ou acha que deseja? ou acha que deve ter?);
2) tem condições financeiras de ter um filho e de garantir bem mais do que apenas sua subsistência;
3) tem interesse em levar este compromisso adiante e atender às demandas emocionais e psicológicas do seu filho sem comprometer a sua felicidade e a felicidade dele.

Porque, afinal de contas, esta é uma parceria para vida toda, embora muitos prefiram pensar que não.

Nicole Rodrigues

Filósofa francesa critica o mito da mãe perfeita em novo livro




"Em entrevista, Elisabeth Badinter rechaça o ideal da maternidade atual e diz que não há um modelo único de mãe para ser seguido

Desde a década de 70 as mulheres vêm tentando conciliar a maternidade à realização pessoal, lutando por direitos e liberdades até então característicos do mundo masculino. Porém, para a escritora e filósofa francesa Elisabeth Badinter, o passar do tempo não foi capaz de quebrar o “mito do maternalismo”, conceito baseado na existência do “instinto materno”, que deixou às mulheres uma ordem aparentemente inquestionável: é natural que elas sejam mães, e elas devem ser mães infalíveis. Mas e os desejos, anseios e vontades destas mulheres, onde ficam?

Autora do livro “O Conflito – A Mulher e a Mãe” (Editora Record), lançado recentemente, Badinter contou ao Delas que, ao longo dos anos, as mulheres acrescentaram às próprias vidas mais do que somente os filhos. Com as possibilidades de escolhas, elas foram sobrecarregadas por todos os lados e cobradas a serem mais do que perfeitas no cumprimento dos deveres maternos. Este estado de coisas, segundo ela, é interessante para a permanência da dominação masculina e para obrigar as mulheres a continuarem se devotando por completo aos filhos. É contra isso que Badinter milita. Segundo ela, a mãe que dá mamadeira ao filho não é menos mãe que aquela que amamenta. "Acrescentamos uma tonelada de culpa nos ombros maternais", diz. Veja abaixo entrevista com a autora, concedida por e-mail.

iG: Como você vê a maternidade e a maneira que as mulheres lidam com ela atualmente? Aconteceram muitas mudanças nesta concepção desde a década de 70 até os dias de hoje? 
Elisabeth Badinter:
Há 30 anos a vulgarização abusiva da psicanálise engendrou a ideia de que a felicidade, a inteligência e o desabrochar da criança – portanto, o equilíbrio dela no futuro – dependem essencialmente do comportamento da mãe. Deste então, os ecologistas e outros adoradores da natureza contribuíram para que essa crença realmente existisse: de que para ser uma boa mãe, por exemplo, preocupada com a saúde do filho, é necessário amamentá-lo 24 horas por dia. E, de preferência, se devotar inteiramente a ele durante um ou dois anos. O resultado: as mães que não querem se conformar com essas diretrizes são cada vez mais consideradas mães indignas, e suas amigas as olham com suspeita. Com o passar dos anos, de fato, acabamos acrescentando uma tonelada de culpa nos ombros maternais.

iG: Quais são as diferenças entre maternidade e paternidade atualmente? O pai moderno também colabora para cuidar do filho e dos afazeres domésticos hoje em dia ou ainda não chegamos a este ponto? 
Elisabeth Badinter:
Durante os anos 70 e 80 as jovens mulheres chamavam massivamente seus companheiros para ajudar no cumprimento dos papéis de pais – e também de donos de casa – em nome da justiça e da igualdade dos sexos. Os homens de boa vontade, portanto, começaram a cumprir as tarefas que acreditávamos até então serem reservadas às mães: dar banho nas crianças, alimentá-las, levá-las para passear, trocar a roupa delas. Eles eram chamados, ironicamente, de “papais-galinhas”. Com isso, ao invés desta mudança ser encorajada, estes pais acabaram sendo alvo de gozação e os pediatras da moda explicavam às mulheres que eles não tinham que se comportar como mães. Atualmente, os pais das classes médias fazem ainda mais do que faziam seus avôs, mas a participação deles é totalmente insuficiente. Por falta de uma pressão social e ideológica sobre eles – não está mais na moda que isso aconteça – os pais se sentem menos culpados em deixar o essencial do trabalho e das responsabilidades à mãe, que proclama cada vez mais que este é o seu papel “natural”. Mas eu luto para que justamente este endeusamento da natureza maternal seja abandonado e que nós chamemos os pais outra vez para dividirem igualitariamente as tarefas e funções relacionadas aos filhos e à casa. 
iG: Os casais que têm filhos atualmente costumam ter razões para tal ou simplesmente, na maioria das vezes, acabam seguindo as normas sem realmente pensar nas vantagens e desvantagens? Quais seriam estas principais razões? 
Elisabeth Badinter:
Há diversas razões para se ter filhos, e a maioria das razões é egoísta. Tirando os que veem ter filhos como uma ordem de Deus, os outros fazem crianças para “concretizar” um sentimento amoroso, para não envelhecerem sozinhos, para receberem amor, para transmitirem suas histórias, por ser uma nova experiência que pode apimentar uma vida “sem graça”. Estranhamente, a maioria de nós é invadida por todo tipo de ilusões: só enxergamos a felicidade e o amor que uma criança pode nos trazer e esquecemos a soma de problemas e sacrifícios que a presença dela induz, e até mesmo o ódio pelos pais que ela poderá sentir e provar em determinados períodos. Entretanto, carregamos tanto o barco dos deveres maternais em alguns países – como Alemanha, Itália e Japão – e apagamos tanto o interesse pessoal da mulher que muitas delas fazem menos filhos, ou não fazem nenhum. Estas mulheres se recusam a sacrificar a vida de mulher para a maternidade e pensam que, assim, elas terão uma vida mais livre e aberta se comparada com a que as próprias mães tiveram. 

iG: O que deveria ser feito para que as mulheres não abandonem a maternidade de vez? 
Elisabeth Badinter:
Para que a maternidade continue uma prioridade, são necessárias várias condições: tirar a culpa das mulheres que querem uma profissão mesmo sendo a profissão “mãe” a primeira delas. Já é hora de lembrar que não somos mães indignas só porque colocamos nossos bebês nas mãos de mulheres desconhecidas durante o dia. O Estado deve ajudá-las a cuidar de seus filhos nas melhores condições: creches gratuitas e abertas 24 horas por dia para as mulheres mais carentes – que às vezes também trabalham durante a noite – e creches de qualidade para todas as mães, com horários que se adaptem ao delas. Também é necessário criticar o mito da mãe perfeita – que é uma completa utopia – e recusar a imposição do modelo único de “boa mãe”. Afinal, uma mãe que dá mamadeira ao filho é tão “boa mãe” quanto àquela que amamenta. Além disso, trocar os horários de trabalho nas empresas para que os pais possam “se dividir com as mães” se torna necessário.

iG: Você aponta, em “O Conflito – A Mulher e a Mãe”, que o declínio da fertilidade, a elevação da idade média da maternidade, o aumento das mulheres no mercado de trabalho e a diversificação dos modos de vida femininos mostram que ter filhos não é mais a maior das prioridades, mas continua sendo comum. Como a mulher atual tenta se equilibrar entre tantas requisições e vontades, como filhos e vida profissional, por exemplo? Existe um ideal de estilo de vida feminino atualmente?
Elisabeth Badinter:
Justamente isso me convence da diversidade dos desejos femininos e dos estilos de vida humanos – contrariando o caso das fêmeas do mundo animal – e por isso milito pela multiplicidade dos modelos maternais. Não, não há um único estilo de vida feminino e, se formos um pouco lúcidos, reconheceremos que há muitas mulheres que farão melhor se jamais forem mães.

iG: Como esta ideia do “instinto materno” colabora para encaramos a maternidade da forma como é vista atualmente e como este tipo de concepção pode impor às mães responsabilidades cada vez maiores em relação aos filhos? Você acredita que hoje a maternidade pede obrigações mais sérias do que antigamente? Por quê?
Elisabeth Badinter:
Sim, as obrigações maternais são cada vez mais pesadas. Uma razão é a ideologia do retorno à natureza que parece existir atualmente nos países industrializados. Um dos exemplos é o caso da mamadeira. Apesar de ser tão malvista atualmente, ela foi um extraordinário instrumento de libertação das mulheres. E podemos dizer o mesmo das fraldas descartáveis. Hoje querem nos persuadir, dizendo que as mulheres que as utilizam são “anticidadãs”. Usando a ecologia como pretexto, retornamos à concepção rousseauniana da maternidade, que diz que a maternidade é a origem do confinamento das mães dentro de casa, assim como o “das freiras no convento.
iG: Como é a boa mãe atual e como, em sua opinião, ela poderia viver uma vida saudável? Você acredita que o sentimento de culpa, muitas vezes recorrente na vida da mulher, também influencia muito em como a maternidade é atualmente? Como mudar isso?
Elisabeth Badinter: Para todas aquelas que rejeitam essa concepção de “boa mãe”, inteiramente devotadas aos filhos, a culpabilidade nunca foi tão forte. Hoje é necessário muito mais tempo para educar duas crianças do que era necessário para educar seis crianças há cem anos. Você acredita mesmo que as crianças e adolescentes do século 21 são mais felizes que as de antigamente?

Jornalista: Renata Losso
Fonte: IG São Paulo

sábado, 30 de junho de 2012

FILHOS ORFÃOS DE PAIS VIVOS


Os filhos moram sob o mesmo teto, frequentam boas escolas, necessidades básicas supridas e tem acesso à tecnologia de comunicação, mas não aos pais.

"Crítico severo do modelo social em que vivemos, o argentino Sergio Sinay, terapeuta, palestrante e pesquisador dos vínculos humanos, sustenta neste livro a predominância atual de uma sociedade de filhos órfãos de pais vivos.

Para ele, não basta colocar um filho no mundo para ser pai ou mãe. Na sociedade atual, em que pais e mães vivem excessivamente atribulados, crianças e adolescentes carecem de orientação, referências, limites e valores que deem sentido às suas vidas.

O autor faz um chamado para que seja assumida a responsabilidade da educação dos filhos, tarefa que não cabe exclusivamente às escolas, muito menos às mídias, apresentando uma reflexão extremamente lúcida das consequências dessa omissão, como a violência crescente entre grupo de adolescentes, a obesidade infantil, números estarrecedores de dependentes menores de idade de álcool e outras drogas etc.

Esclarece ainda que o acesso à tv e à internet sem qualquer supervisão de pais que não filtram nem esclarecem mensagens de manipulação publicitária, puramente mercadocráticas, são alguns dos fatores responsáveis pelo desencadeamento dos males que cabe a pais e mães presentes e atentos estancar. 

Uma reflexão extremamente lúcida para orientar pais e mães a educarem melhor seus filhos em tempos tão difíceis."

Fonte: Livraria da Folha

domingo, 10 de junho de 2012

FALSOS INSTINTOS


I
O que fazer com o animal que acreditamos existir dentro de nós? E se ele vive mesmo dentro de todos nós − homens e mulheres − por que a fêmea é vista como a guardiã de todo o amor que existe no mundo enquanto o macho pode desfrutar do estilo mais desapegado, promíscuo e inconseqüente do qual se tem registro na história da humanidade?

Por que existe uma quantidade considerável de desculpas para todos os abusos e absurdos que o macho comete em relação a suas crias, enquanto as fêmeas que não reproduzem porque não podem ou não querem são vistas como aberrações da natureza?

Então cabe à fêmea a missão de procriar, sem exceção, além de alimentar, limpar, vigiar, cuidar, zelar, proteger e amar a sua criar não importa o que aconteça ou como ela se sinta − se é que sente mesmo alguma coisa − enquanto o macho pode fazer filhos a torto e a direito sem pensar? Pode fazê-los até mesmo à força, abandoná-los e seguir vivendo sem remorso ou punição?

Seriam eles, os machos, à prova de estigmas, de preconceito, de culpa e de responsabilidade?  E até quando os que estupram terão o instinto selvagem como desculpa para justificar o que não se justifica: a insanidade temporária que alegam fazê-los perder todos os sentidos, com exceção dos em volta do pênis, quando decidem que precisam transar?

II
E até quando nós, fêmeas, pararemos de usar o instinto materno como desculpa para continuarmos parindo filhos que não desejamos criar? 

Porque para quem os deseja, está tudo muito bem. Com sorte, a predisposição que lá já estava se transformará em amor ou conformação. Mas para quem sequer tem a curiosidade ou o mais remoto interesse pela reprodução e por tudo o que ela requer e representa, o fardo de se forçar a multiplicar é pesado demais para ser carregado nessa nossa vida, que é demasiado curta para ser desperdiçada com falsos instintos. 

Nicole Rodrigues

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Julia Child

Julie e Julia, as duas sem filhos, descobriram o prazer de viver colocando a mão na massa.







sábado, 26 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Livro + filme uterino = Precisamos falar sobre o Kevin

É possível que um filho se torne uma pessoa má por não ter sido genuinamente desejado e amado pela mãe? Ou filhos podem se tornar pessoas más independente de terem sido amados? De quem é a culpa? Existe um culpado? Ou trata-se de algo que jamais saberemos ao certo? Essas e muitas outras questões são levantadas no livro (e no filme) Precisamos falar sobre o Kevin.



domingo, 15 de abril de 2012

Direito ao planejamento familiar

O que há de errado com a introdução da BBC ao programa de rádio "Women´s hour" que foi ao ar no dia 08 de março de 2012 - Dia internacional da mulher? Leia abaixo e tente adivinhar.

"Mais de 215 milhões de mulheres desejam o direito de escolher quando e quantos filhos querem ter, ainda assim nenhum serviço de planejamento familiar é oferecido a elas. Assistência ao planejamento familiar vem lá atrás quando o assunto é a verba destinada em comparação a outros tópicos relacionados à saúde. A ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, discutirá este assunto no Parlamento Britânico a fim de destacar as razões econômicas e sociais para um maior investimento em planejamento familiar. Ela estará conosco no programa de hoje."

Eu ouvi o programa inteirinho, que, alias, é muito bom, apenas lamentei profundamente que a opção de NÃO ter filhos sequer tenha sido cogitada. A frase inicial do texto de introdução deveria ser "Mais de 215 milhões de mulheres desejam o direito de escolherem se querem ou não ter filhos, e quando e quantos filhos querem ter". Por que o acesso à pílula e a outras formas de contracepção não serve apenas para adiar a vinda de um filho, mas também para evitar que isso aconteça. Seja quando for. E a decisão de não ter filhos também deve ser vista como planejamento familiar. Afinal de contas, existem famílias de duas pessoas. Marido e mulher que decidiram não ter filhos e que, portanto, planejaram sua família.

Então me preocupou que até um tópico tão importante e próximo à causa da maternidade consciente, como é o caso do Planejamento familiar, tenha excluído o grupo de mulheres que opta pela não-maternidade.  Por que  a questão não pode começar no "vamos planejar quando e quantos filhos queremos." Mas sim no "vamos pensar e decidir se queremos ter algum filho". E se a resposta for sim, aí sim a gente parte para as outras perguntas.

Fora isso, como eu disse acima, vale a pena ouvir o programa e as ideias de uma mulher admirável como a Mary Robinson. Você também pode ouvi-las se quiser, basta clicar
aqui (chapter 2).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Laqueadura sem corte


Um procedimento de esterilização feito sem cortes e em apenas cinco minutos está em teste no Brasil. Concebido como uma alternativa à cirurgia de laqueadura, o método é uma opção para portadoras de doenças cardíacas graves, para quem tanto a cirurgia quanto a gravidez sobrecarregariam o coração. Elas também não podem tomar anticoncepcionais (os hormônios desses remédios representam risco para elas).

A técnica consiste na colocação, pela vagina, de um aparelho feito de titânio e níquel – chamado Essure – projetado para ser introduzido nas trompas. Após três dias, forma-se uma fibrose, espécie de reação de rejeição ao corpo estranho presente na trompa. Ela acaba funcionando como um obstáculo que impede o óvulo de alcançar o local onde se encontraria com o espermatozoide.

O implante está em testes em hospitais públicos de referência em saúde da mulher do Rio de Janeiro e de São Paulo (em algumas instituições particulares do País, já está disponível). “A eficácia da esterilização é de 90%”, explica Paulo Olmos, chefe do serviço de Reprodução Humana do Hospital Brigadeiro, em São Paulo. E também é irreversível. “A mulher só poderá engravidar por meio de fertilização in vitro (junção de óvulo e espermatozoide em laboratório)”, explica o ginecologista Luciano Gibran, do Hospital Pérola Byington, em São Paulo.

A vendedora paulistana Viviane Brito, 24 anos, submeteu-se ao procedimento. Ela nasceu com uma cardiopatia que impede o sangue bombeado do coração de chegar aos pulmões. Casada há um ano, Viviane engravidou acidentalmente, mas teve de interromper a gestação para que seu coração não fosse sobrecarregado. “Passei muito mal”, conta. “Não quero sofrer novamente.”

Os especialistas acreditam que o método tem bom potencial para ser usado em programas de planejamento familiar. “Sua adoção diminuiria a fila de espera para a laqueadura”, diz o médico Olmos. A Conceptus, fabricante do aparelho, já está em negociação com o governo brasileiro. “Estamos conversando sobre a possibilidade de ampliar os testes em outras instituições públicas”, disse à ISTOÉ Spencer Roeck, presidente da companhia.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Até parece

Picasso


"Oh my god – I forgot to use my ovaries!
I’ll die miserable and alone, sobbing into my pillow.

You wish."


"Ai meu deus - esqueci de usar meus ovários!
Vou morrer triste e sozinha, chorando no meu travesseiro.
Até parece."


Li este comentário no espaço reservado aos leitores no final de um artigo de jornal que tratava dos estereótipos enfrentados por mulheres que não têm filhos.

A pessoa assinou apenas como "Teresa".

Tradução: Nicole Rodrigues

domingo, 1 de abril de 2012

Oprah Winfrey



"I could not... have had this life and lived it with the level of intensity that is required to do this show the way it's done. I'd be one of those people that the kid's coming and saying, 'Mom, you've neglected me.'... So I have no regrets about that. I have none ... not one regret about not having children because I believe that ... it is the way it's supposed to be."

"Eu não conseguiria... ter tido esta vida e a vivido com o nível de intensidade que é necessário para fazer este programa da maneira que ele deve ser feito. Eu seria uma dessas pessoas com filhos que chegam e dizem: 'Mão, você me negligenciou...'. Por isso eu não tenho arrependimentos quanto a isso. Nenhum mesmo... não me arrependo de não ter tido filhos porque eu acredito que... aconteceu do jeito que era pra ser."

Oprah Winfrey
Apresentadora de TV americana

Tradução: Nicole Rodrigues
Fonte

Papisa Joana II

Para quem acha que o papado é coisa só para homens, nada melhor do que se surpreender e inspirar lendo ou assistindo a história da corajosa Papisa Joana.


terça-feira, 13 de março de 2012

Violência obstétrica existe, sim senhor!

A única vez que toquei nesse assunto aqui no Útero Vazio (não por falta de interesse, mas por falta de tempo para pesquisar e escrever mais) um senhor de Portugal que nunca vai saber na vida o que é ser mulher, e muito menos grávida, veio dizer que as informações do post (um testemunho de uma jornalista portuguesa publicado em diversas revistas sobre um parto traumático e desumano) eram mentirosas e que isso (violência obstétrica) não existia. Eu pedi que ele compartilhasse conosco a experiência de parto dele, já que parecia tão entendido no assunto. Como a resposta nunca veio, estou achando que, pelo menos de agora em diante, ele vai pensar duas vezes antes de sair por aí "desmentindo" mulheres que criam coragem para denunciar os maus tratos aos quais são submetidas em consultas ginecológicas e procedimentos obstétricos.

A Lola publicou um guest post imperdível sobre o assunto. Leiam porque é do interesse de todas nós. E tratemos de exigir respeito de nossos ginecologistas, obstetras, anestesistas, enfermeiras e parteiras. Quem não tem postura profissional e compaixão não deveria estar na área da saúde, nem que seja de animais!


Para quem quer ler mais sobre este assunto, recomendo:

O post "Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher" escrito pela Nanda, autora do blog Mamíferas;
O post "Teste da Violência Obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva" escrito pela Lígia, autora do blog Cientista que virou mãe;

O blog:
Parto no Brasil

quinta-feira, 8 de março de 2012

No dia das mulheres





Queridas uterinas,

No dia das mulheres lembremos dos direitos humanos. Dos direitos das mulheres. Do direito de escolhermos ter filhos ou não ter filhos. Dos direitos das crianças. Do direito de não trazê-las ao mundo por acidente, impensadamente ou à força.

Que este dia nos faça lembrar que o útero não é o orgão que nos define, que não nascemos com a obrigação de procriar e que filhos devem, e sempre deverão, ser uma decisão consciente. Pois apenas assim eles poderão ser amados e cuidados o bastante para que se tornem bons seres humanos que, por sua vez, darão continuidade ao ciclo de criação de novos direitos e de manutenção dos direitos que já conquistamos.

Que este dia nos faça refletir sobre a ausência de muitos direitos nos países de tantas mulheres e no desperdício de tantos direitos que não são respeitados ou reivindicados por nós em nosso país.

Assistam ao vídeo acima se tiverem 5 minutinhos (ok, nove minutinhos :-), mas vale muito a pena!

Um abraço apertado!

Nicole

terça-feira, 6 de março de 2012

Livro + filmes uterino = Comer, rezar amar.

Na correria dos tempos modernos nem todo mundo encontra tempo para ler tudo o que gostaria, mas como eu sou fã de carteirinha dos livros e sei que, principalmente em se tratando de assuntos relacionados à maternidade consciente ou à opção pela não maternidade, não existe muito material à nossa disposição: faço questão de compartilhar o que já encontrei com vocês.

Decidi criar uma sequência de posts com livros (para quem consegue ou prefere ler) e adaptações para o cinema do mesmo livro (um atalho básico que pode ser bem útil e facinho de encaixar no tempo livre nos fins de semana).

Não me decepcionem, hein? Leiam ou assistam a algumas das sugestões que postarei a partir de hoje! E fiquem à vontade para me escrever contando como foi ou sugerindo mais títulos para os próximos posts (rodrigues-nicole@hotmail.com).



Nota pessoal:
Eu adoro a parte em que a melhor amiga da Liz Gilbert, a personagem principal, mostra a caixa cheia de roupinhas de bebê que ela guarda em baixo da cama e a Liz responde: "eu tenho uma caixa igual a essa, mas ela está cheia de revistas de viagem." É uma declaração tão simples, mas diz tanto sobre quem ela é e sobre quem ela quer ser. Isso, no fim das contas, é o mais importante: que aprendamos a ouvir quem somos e o que, de fato, queremos. Só assim viveremos em paz com nossas escolhas, sejam elas quais forem.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando é a mamãe quem vai embora



Um envelope de Denver, Colorado. A carta está endereçada a Billy Kramer e foi enviada pela Joanna.

TED
Billy!

[BILLY] Senta na sala de estar assistindo televisão, com uma rosquinha de chocolate em uma mão e o controle remoto na outra.

BILLY
(concentrado na TV)
Hum rum...

TED
Você recebeu uma carta da mamãe.

Billy imediatamente baixa o volume da televisão.

BILLY
(entusiasmado)
Quando ela vai voltar para casa?!

Ele começa a ler a carta lenta e cuidadosamente, para que Billy possa compreendê-la.

TED
"Meu querido e doce Billy: a mamãe foi embora.
Às vezes, nesse mundo, os papais vão embora e as mamães criam os seus filhinhos. Mas noutras vezes, a mamãe também pode ir embora e é o papai quem fica para cuidar do filhinho."

À medida que Ted continua a ler a carta, Billy começa a aumentar o som da televisão, usando o controle remoto...

TED
(lendo em voz alta para que Billy possa ouvi-lo)

"Eu fui embora porque preciso encontrar algumas coisas interessantes para fazer por mim mesma no mundo. Todo mundo deve fazer isso, e eu também. Ser a sua mãe foi uma dessas coisas, mas existem outras que eu preciso fazer. Eu não tive a chance de te dizer isto, e é por isso que estou escrevendo agora."

A esta altura o volume da televisão está tão alto que Ted precisa berrar para que possa ser ouvido.

TED
"Eu sempre serei a sua mamãe e sempre te amarei. Eu apenas não serei a sua mamãe dentro de casa. Mas eu serei a sua mamãe do coração. E eu..." (Ele olha para a criança, prestes a pedir que ele baixe o volume da TV.

TED
Billy.

Billy continua sentado, assistindo televisão com uma expressão intensa, quase furiosa, em seu rosto, fazendo o melhor que pode para bloquear a voz de Ted.

Ele observa o filho por um segundo, então dobra a carta cuidadosamente, e a coloca de lado.

TED
(se aproximando e baixando o volume da TV)
Está tudo bem... está tudo bem... Nós falaremos sobre isso uma outra hora.

Texto: trecho do roteiro do filme 
Kramer vs. Kramer 
Tradução: Nicole Rodrigues

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pense novamente

Para quem acha que já alcançamos a igualdade de direitos entre os gêneros e que o feminismo é desnecessário, pense novamente. Em muitos países do mundo não ter filhos não é uma opção. E nesses lugares não basta parir, tem que parir um filho, porque o nascimento de filhas não é bem-vindo. 


Mulher é presa no Afeganistão por estrangular nora que teve 3ª bebê menina

"Uma mulher foi presa no Afeganistão por ajudar o filho a estrangular a própria esposa, que havia dado a luz a uma terceira filha. Enquanto os pais celebram o nascimento de filhos homens, as meninas são causa de frustração entre algumas famílias afegãs.

A jovem Stori, de 22 anos e mãe de três meninas, foi assassinada no sábado no vilarejo de Mahfalay, distrito de Khanabad, que fica na província de Kunduz, no sudeste afegão.

O delegado da polícia local, Sufi Habib, disse que Stori teve os pés amarrados pela sogra, Wali Hazrata, enquanto seu próprio marido a estrangulava.
O corpo da afegã foi encontrado no mesmo dia por um dos vizinhos, que chamou a polícia.

O marido está foragido e não teve o seu nome divulgado. Acredita-se que o homem pertença à milícia Arbaki.
Autoridades locais disseram à BBC que o marido está sob proteção de um grupo armado ilegal, sob amparo de políticos no Afeganistão.

Direitos das mulheres

Ativistas de direitos humanos divulgaram o caso à imprensa afegã. A diretora do escritório de Defesa da Mulher de Kunduz, Nadira Gya, condenou o incidente.

"Foi um crime brutal cometido contra uma mulher inocente", disse. Nadira acusou as milícias de diversos ataques contra mulheres no Afeganistão.

Líderes religiosos e tribais também condenaram o assassinato da jovem. Eles disseram que a morte foi um ato de ignorância e um crime contra o Islã, a humanidade e as mulheres, e pediram punição rigorosa à sogra e ao marido envolvidos no crime.
A terceira filha de Stori, que hoje tem dois meses, não se feriu no incidente."


Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120130_sogra_afeganistao_dg.shtml

sábado, 28 de janeiro de 2012

Capacidade de amar



"Por que apenas as mulheres que dão à luz devem ter o direito ao papel de mãe? Não seria o caso de todos nós, incluindo os homens, termos a capacidade de amar e de cuidar de crianças, independente da nossa ligação biológica com elas?"
Citação do livro "Mad to be a mother"
da autora Brigid McConville

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mil irmãs



Nós somos apenas irmãs correndo em um campo, e nós devemos correr – correr e dançar – até o fim.

Zainab Salbi
(prefácio do livro "A thousand sisters". Tradução livre: "Mil irmãs")



No site oficial da campanha de conscientização "A thousand sisters", criada após o lançamento do livro homônimo de Lisa Shannon, você encontrará o seguinte texto:

O Congo Oriental é frequentemente chamado de “O pior lugar no mundo para ser mulher.” A violência sexual é pandêmica: mais de 400.000 mulheres foram estupradas por estranhos em apenas um ano (2006-2007), um tempo em que muitos especialistas se referiam ao país como “pós-conflito” ou como “relativamente estável”. Mais estável para quem? Estupros coletivos, escravidão sexual e torturas são comuns. Ainda assim a comunidade internacional respondeu apenas com esforços fragmentados, em vez de intervir de forma séria. Quinze anos depois, nós ainda precisamos de um plano coordenado, coeso e amplo para o Congo... e precisamos agora!
Podemos ajudar as mulheres do Congo de diversas formas:
- lendo o livro "A thousand sisters"
- emprestando ou dando o livro de presente para parentes e amigos
- repassando informações sobre o livro e a guerra do congo via e-mail ou postando sobre este assunto nos nossos blogs
- participando da
campanha de conscientização sobre a guerra no Congo
-
patrocinando uma irmã no Congo:

Nicole Rodrigues

domingo, 15 de janeiro de 2012

Unidas

Olá querida uterinas,

Depois de um fim de ano bastante tumultuado eu finalmente consegui aparecer para desejar um feliz 2012 a todas vocês! Mas em vez de apenas desejar um monte de coisas boas, que eu sei que vocês merecem, eu preferi fazer diferente e começar este ano novo citando e compartilhando muitas iniciativas boas na esperança de que elas continuem a existir e que se multipliquem graças ao nosso esforço.

Então eu vim trazendo um presentinho: uma lista de links especialíssimos. Trata-se de uma seleção de organizações, instituições e campanhas que contribuem imensamente para que sejamos cada vez mais livres. Todas elas têm em comum a luta em prol de nossas irmãs, mães, filhas e amigas que são vítimas de abuso sexual, violência doméstica, tráfico humano ou ausência absoluta de qualquer direito de expressão.

A melhor maneira de ajudar essas instituições é:

- visitar alguns destes links e aproveitar o enriquecedor conteúdo publicado
- divulgar o que encontrarem e julgarem relevante com seus amigos e familiares
- buscar oportunidades de empregos ou de voluntariado na instituição que mais lhe tocar o coração


Centros de referência de atendimento à mulher
A campanha das 50 milhões de desaparecidas

Centro de documentação e arquivo feministas


Secretaria da mulher do estado de Pernambuco

SOS Mulher e família


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