domingo, 6 de janeiro de 2013

O direito ao corpo

Women Social Gathering Together Painting - Joseph Muchina

Como conquistar e garantir o direito de não ter filhos sem estigmas, quando até o direito mais óbvio, mais natural e mais necessário, nos é negado? O direito de tomar decisões sobre o próprio corpo. O direito de não ser assediada. O direito de não ser molestada. O direito de não ser estuprada. O direito de não ter os ouvidos invadidos por palavras sujas, vulgares e nojentas no meio da rua. O direito de não ter os seios e as nádegas tocadas por chefes e colegas no local de trabalho. O direito de dizer não. O direito de não ser punida por dizer não. O direito de não precisar dizer não. A falta do sim já deveria ser o bastante. O direito completo e absoluto ao próprio corpo.

Não somos Viviane, nem Aracelli, nem Eliza, nem nascidas na Índia. Mas que diferença faz? Não somos todas mulheres? Não corremos o risco de sermos estupradas nas ruas, nos locais de trabalho, nos transportes públicos e até mesmo em nossos lares? Não somos? E se somos, porque não reagimos? Por que continuamos a celebrar o Natal, o Ano Novo, o Carnaval, a Páscoa e a Marcha das Vadias? Como se o direito que importa é o de tirar a roupa, em vez do direito de não ter a roupa tirada a golpes violentos para então sermos invadidas mais violentamente ainda até nos restar apenas os trapos. É esse o direito que realmente precisamos e desejamos?  Ou seria o direito de, com ou sem roupa, não sermos caçadas dia e noite como bichos?

A dor de muitas das vítimas citadas acima não é minha. Eu não conheci nenhum delas. Fiquei sabendo dos casos ouvindo aqui, lendo ali e acolá. Mas que diferença faz? Uma, de 21 anos, foi drogada e estuprada em uma festa de fim de ano com colegas de trabalho de um dos maiores escritórios de advocacia do país. Depois disso, começou a agir estranho e acabou caindo do sétimo andar do prédio onde morava. A outra tinha oito anos, foi sequestrada, mantida em cativeiro por dois dias e teve os seios e a vagina dilacerados a dentadas, antes de ser estuprada e morta. A terceira, de 25 anos, foi espancada e esquartejada por capangas do ex-namorado e as partes de seu corpo viraram comida de cachorros. A última, tinha 22 anos, foi estuprada por duas horas por seis homens, depois espancada com uma barra de ferro e jogada para fora de um ônibus em movimento. E estas são apenas 4 das milhares, senão milhões, de vítimas de atrocidades sexuais Brasil adentro e mundo afora.


O que mais há para saber? O que falta para estourar a nossa bolha de sossego e nos fazer acordar para o fato de que o direito ao corpo, às decisões sobre o corpo, não são feministas, ultrafeministas, utopia ou imbecilidade, mas sim uma questão de sobrevivência e, mais, um requisito básico para podermos viver em paz. 

Se quisermos apenas sobreviver nesta floresta selvagem que este mundo se tornou, talvez nos bastem as chaves estrategicamente posicionadas entre os dedos, um anel pontudo, um spray de pimenta na bolsa, o celular com discagem rápida no bolso, não andarmos em locais escuros à noite, não andarmos sozinhas ou, quem sabe, o melhor não seja mesmo nos trancarmos em casa, para nunca mais sairmos, espiando sempre a janela para ter certeza de que ninguém pulará o muro e nos violentará lá mesmo. Isto é, com sorte, talvez nos baste prevenir, que é o que a nossa sociedade nos ensina. Como se fosse normal prevenir esturpro e sentir medo 24 horas por dia.

Se quisermos mais do que isso, mais do que apenas sobreviver como os bichos caçados que somos, teremos que nos unir, rebelar e mudar as leis que regem o mundo em que vivemos. Nossas vozes serão ouvidas se o coral for grande o bastante. É preciso denunciar, punir com sentenças longas e irreversíveis (já que a castração não mais é considerada como pena), incluir o nome, foto e endereço de cada criminoso sexual em um registro nacional de estupradores e pedófilos. Transferir o medo para a realidade deles, pois quem deveria sentir medo são eles,  não nós. A palavra de ordem é punição e não prevenção. E mobilização é o único caminho. 


Se a Índia, um dos países que mais ignora os direitos das mulheres no mundo, demonstrou sua indignação à violência enfrentada pelas mulheres, protestando nas ruas por dias a fio, o que levou à criação de uma CPI de apuração rápida dos fatos, que por sua vez resultou no indiciamento de 5 dos 6 homens envolvidos no caso e culminou no cancelamento das celebrações de fim de ano, por que nós não seguimos o exemplo? O que diabos está faltando para nos unirmos e agirmos? E que tal começarmos agora mesmo?

Nicole Rodrigues

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Será que a maternidade seria algo adequado para você? (parte I)


Fazia tempo que eu não lia um livro com a capacidade de, ao mesmo tempo, me inquietar e confortar tanto. Falo do maravilhoso: “Além da maternidade” de Jeanne Safer, que foi escrito em 1996 − o que me surpreende, já que me parece bem mais atual, mas também me entristece, por dar a impressão de que tão pouco mudou em quase 20 anos, em relação ao peso social da maternidade.
 
Apesar de ter apenas 202 páginas, levei dois meses para lê-lo. Cada uma delas carrega tantos questionamentos válidos e histórias enriquecedoras, que fiz questão de ler devagar, até porque é impossível não se conectar emocionalmente com a trajetória e processo de escolha de Jeanne e das mulheres que ela nos apresenta e isso acaba tornando a leitura mais pesada ou até mesmo difícil.

Diversas vezes senti que eu poderia ter escrito muitas das passagens deste livro, tamanha a minha identificação com o conteúdo e o cuidado da autora em relação à apresentação do mesmo. Embora este livro tenha sido sido escrito de forma tão íntima e detalhada, nunca me fez sentir uma leitora alienada
nem mesmo quando as histórias e pontos de vistas  apresentados eram tão diferentes dos meus e jamais falhou em manter minha atenção. A leitura de Além da maternidade foi um aprendizado total. Uma experiência completa, do começo ao fim. E me senti abraçada ao chegar à última página.


Existem tantos trechos que eu gostaria de compartilhar com vocês, mas o mais útil (e raro) nos muitos livros que venho explorando nessa longa fase de pesquisa para o meu próprio livro, é o epilogo, especialmente dirigido a mulheres que estão ainda no processo de tomar uma decisão. 

Como esta parte final do livro chega a seis páginas e é dividida em 10 itens, achei melhor publicá-la aos poucos, assim teremos tempo para pensar com calma em cada um dos tópicos sobre os quais a Jeanne gentilmente nos estimula a refletir.

"Será que a maternidade seria algo adequado para você? Não adie fazer a si mesma essa pergunta, mesmo que respondê-la seja difícil. Realmente reflita sobre essa questão, comece agora. Arrume tempo para isso. A fim de fazer uma escolha judiciosa, é importante saber o máximo possível sobre seus sentimentos, seus conflitos, suas fantasias e suas necessidades. Converse com seu namorado, marido, amigos e, mais importante que tudo, consigo mesma – e ouça com atenção, com mente aberta, aquilo que você tem a dizer.

1. Como você se sente realmente em relação a crianças? Mulheres que não são talhadas para a maternidade podem ter toda uma gama de reações, que vão de uma aversão profunda até o prazer e o deleite. Você se sente com frequência pouco à vontade ou irritada quando está próxima de crianças? Em caso afirmativo, será sua reação, baseada principalmente na inexperiência ou falta de jeito – o que pode mudar – ou há coisas mais profundas causando o seu desconforto? E mesmo que adore a companhia de crianças, será que o interesse e a atividade delas realmente lhe agradam durante longos períodos? Será que está preparada para passar boa parte do tempo cuidando delas e participando de suas atividades?

Diga a verdade a si mesma. Se tem sentimentos conflitantes, tente conviver com sua ambivalência sem negar nenhum dos pólos; veja aonde isso a leva, qual sentimento e mais forte. Se descobrir que o negativo predomina, não pressuponha que irá se acostumar a ele. Isso depende da intensidade de sua aversão e do quão motivada está para mudar. Pergunte a si mesma por que se sente assim, claro, mas não espere que o lado negativo simplesmente desapareça."

Postarei a segunda parte nos próximos dias, mas se não quiser esperar até lá, sugiro que considere dar um presente de ano novo a si mesma e que o compre agorinha mesmo (eu comprei num sebo em Brasília por R$12,00!), para ter acesso total à bem escrita e elaborada contribuição da autora para que nós, mulheres, possamos nos permitir refletir e questionar a maternidade antes de tomarmos uma decisão final em relação a ela.


Fonte: Safer, Jeanne. Além da Maternidade, 1996. Editora Mandarim, São Paulo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Combate ao disparate



"Quem pensa em não procriar, mesmo tendo renda para criá-los, comete um erro irreparável e se prepara para uma vida só, sem graça, isolada, fadado a conviver com pessoas interesseiras e frustradas, cheia de vícios e desamor. Filhos é a continuidade da espécie, não tê-los é egoísmo. Quem segue esse pensamento tende a desenvolver depressão e cultivar futuramente um tipo de esquizofrenia. Quem exalta o outro lado, o obscuro, que chamam isso de boa evolução, são uns recalcados e frustrados." Jorge Araújo dos Santos 26/08/12 - 17:35

O absurdo em forma de parágrafo acima é uma resposta de um leitor do Jornal O Globo à matéria "Pai, mãe e filhos já não reinam mais nos lares" e, após lê-lo, eu não consegui me conter. Pensei cá com meus botões: conter pra que? Se é exatamente por causa de pessoas como o Sr. Jorge Araújo dos Santos que eu criei este blog. Pessoas que disseminam o disparate de que não ter filhos é egoísmo e, pior, ousam até prever o futuro de quem escolhe não tê-los, dizendo que serão vítimas de depressão e até − pasmo − de algum tipo de esquizofrenia! Um diagnóstico completo, baseado em bobagem pura, preconceito do pior tipo e ignorância das mais agudas. Quanta arrogância, meu deus!

Se crianças são a solução para todos os casos de esquizofrênicos e depressivos no mundo, então é melhor fecharmos todos os manicômios e avisarmos todos os psicólogos e psiquiatras que basta forçar seus pacientes a se reproduzierem já que, de acordo com o Sr. Jorge, isto impediria que eles continuassem a desenvelver todas essas doenças mentais.

Quem lê este blog sabe muito bem que ele está longe de ser uma campanha contra a reprodução. Trata-se, isso sim, de um blog sobre a maternidade consciente, a  importância de refletirmos sobre o DESEJO de ter ou não um filho (ou vários), e da necessidade de que este desejo (ou a ausência dele) seja descoberto e respeitado, guiando assim nossa decisão final sobre a maternidade, seja ela qual for. Não se trata da resposta, mas sim de nos permitirmos fazer a pergunta: queremos nos tornar mães ou não? Se houver o desejo, o interesse, a vontade, o compromisso: então a resposta é sim. Senão, a resposta, obviamente, deveria ser não.

E, se após refletir, uma mulher decidir não ter filhos por se julgar desinteressada ou inapta a se tornar mãe, cabe a nós, cada um de nós que compõe essa sociedade cada vez mais hipócrita, respirarmos aliviados por sabermos que se trata de uma mulher a menos que pariu sem querer, sem poder, sem desejo de amar, de cuidar. De alguém que poderá se voltar para outras coisas, pessoas e causas. E dedicar-se ao que lhe parece importante, interessante e necessário. Contribuindo assim de outra maneira para tornar a nossa sociedade menos ridícula, autoritária e julgadora das opções e decisões alheias. Cabe a nós celebrar esta mulher, e não denegri-la, repudiá-la, subestimá-la.

Principalmente em se tratando de decisões que não afetam, machucam, nem interessam a ninguém, além delas mesmas. Afinal de contas, como é que a decisão de outra pessoa de não ter filhos pode ser tratada com um assunto nosso? Um assunto geral, público, social, que nos afetará? Não pode. E não pode porque não é. Ter filhos, ao contrário, já é outra história, mas ainda sim o direito de tê-los é inquestionável e o respeito a quem os tem também é senso comum.

É chegada a hora, ou melhor, já passou e muito da hora, de fazermos o mesmo; de oferecermos as mesmas condições, o mesmo respeito às mulheres que desejam não ter filhos. É hora de parar de perpertuar sem questionamento algum doutrinas religiosas e patriarcais que ditam as regras, limitações e obrigações dos corpos e vidas femininas e de usarmos o raciocínio lógico, o autoconhecimento e o bom senso não só para tomarmos decisões, mas também para aceitarmos as decisões uns dos outros. Quem nasce, vive e morre somos nós. E cabe a nós, individualmente, decidir o que fazer com nossas vidas. Seja com ou sem filhos.

Então, na próxima vez que um Seu Jorge da vida azulcrinar você ou alguém que você conhece, por ter escolhido não ter filhos, faça valer o seu livre arbítrio, a sua identidade, a sua essência, a sua escolha de vida e a sua voz, e mande o mané plantar batatas bem longe.

Nicole Rodrigues 


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Jenna Goudreau



"While many are quick to question why one would choose not to have kids, few ask themselves why they do have kids or are prepared for the reality."

"Enquanto alguns não perdem tempo na hora de questionar por que algumas pessoas escolhem não ter filhos, poucos se perguntam por que eles têm filhos ou se estão preparados para a realidade."
 

Jenna Goudreau
Repórter da Revista Forbes
Source: Forbes


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ter filhos traz mesmo felicidade?

Reportagem publicada na revista Época, edição de outubro de 2012.
Autoras:
Nathalia Ziemkiewicz e Flávia Yuri
 
" Por que a discussão realista sobre os problemas da paternidade causa tanto desconforto – e como ela pode ensinar os casais a sofrer menos

É 1 hora da madrugada. Um choro estridente desperta a ex-judoca olímpica Danielle Zangrando, de 33 anos. Desde que levou Lara do hospital para casa, as mamadas a cada três horas impedem o sono de antes. Ela pula da cama e oferece à filha o peito. Depois, troca a décima fralda daquele dia, embala a bebê no colo, caminha com ela em busca de uma posição que a faça parar de chorar. O choro prossegue. Daniele tenta bolsa de água quente e gotinhas de remédio. Nada de o berreiro cessar. Duas horas depois, mãe e filha formam um coro: Danielle também cai em prantos, desesperada. É a primeira cólica de Lara, com 20 dias de vida. O pai, Maurício Sanches, funcionário público de 48 anos, se sente impotente. Está frustrado e desconta a frustração na mulher: “Você comeu algo que fez mal a ela?”. A partir de então, Danielle se privará também do chocolate. Já desistira do sono, da liberdade, do trabalho como comentarista de esporte. Na manhã seguinte, ainda exausta da maratona noturna, retomará a mesma rotina, logo cedo: amamentar, dar banho, trocar fralda, botar para dormir. “Ninguém sabe de verdade como é esse universo até entrar nele”, diz Danielle. Hoje, Lara está com 2 anos. As noites não são tão duras quanto costumavam ser. Mas Danielle e Sanches ainda dizem que ter filhos é uma missão muito mais difícil do que eles haviam imaginado.

Eis um problema: a paternidade, que deveria ser o momento mais feliz da vida dos casais – de acordo com tudo o que aprendemos –, na verdade nem sempre é assim. Ou, melhor dizendo, não é nada disso. Para boa parte dos pais e (sobretudo) das mães, filhos pequenos são sinônimo de cansaço, estresse, isolamento social e – não tenhamos medo das palavras – um certo grau de infelicidade. Ninguém fala disso abertamente. É feio. As pessoas têm medo de se queixar e parecer desnaturadas. O máximo que se ouve são referências ambíguas e cheias de altruísmo aos percalços da maternidade, como no chavão: “Ser mãe é padecer no Paraíso”. Muitas que passaram pelo padecimento não se lembram de ter visto o Paraíso e, mesmo assim, realimentam a mística. Costumam falar apenas do amor incondicional que nasce com os filhos e das alegrias únicas que se podem extrair do convívio com eles. A depressão, as rachaduras na intimidade do casal, as dificuldades com a carreira e o dinheiro curto – disso não se fala fora do círculo mais íntimo e, mesmo nele, se fala com cuidado. É tabu expor a própria tristeza numa situação que deveria ser idílica.


A boa notícia para os pais espremidos entre a insatisfação e a impossibilidade de discuti-la é que começa a surgir um movimento que defende uma visão mais realista sobre os impacto dos filhos na vida dos casais. Seus adeptos ainda não marcham nas ruas com cartazes contra a hipocrisia da maternidade como um conto de fadas. Mas exigem, ao menos, o direito de falar publicamente e com franqueza sobre as dificuldades da situação, sem ser julgados como maus pais ou más mães por se atrever a desabafar. Por meio de livros e, sobretudo, com a ajuda da internet, eles começam a falar claramente sobre os momentos de angústia, tédio e frustração que costumam acompanhar a criação dos filhos. Nas palavras da americana Selena Giampa, uma bibliotecária de 35 anos, dona do blog Because Motherhood Sucks (A maternidade enche...), “a maternidade está cheia de momentos de pura felicidade e amor. Mas tudo o que acontece entre esses momentos é horrível. Amo ser mãe, de verdade. Mas tenho de dizer a vocês que, assim como qualquer outro emprego, muitas vezes eu tenho vontade de pedir as contas”. Com uma notável diferença: ninguém pode se demitir do emprego de mãe ou de pai. Ele é vitalício.

O melhor exemplo dessa nova maternidade é o livro Why have kids (Por que ter filhos), sem previsão de lançamento no Brasil, escrito pela jornalista americana Jessica Valenti, de 34 anos. Durante a gravidez de sua primeira e única filha, Jessica teve um aumento perigoso de pressão arterial. Layla nasceu prematura, pesando menos de 1 quilo. Passou oito semanas na incubadora do hospital. Ao longo dos 56 dias em que viu a filha sofrer dezenas de procedimentos invasivos, Jessica refletiu sobre como idealizara a experiência de ser mãe. Seu livro parte daí para criticar a cobrança pela maternidade perfeita, uma espécie de pano de fundo imaginário contra o qual as mães de verdade comparam suas imensas dificuldades e seus inconfessáveis sentimentos negativos. “Não falar sobre a parte ruim da maternidade só aumenta o drama dos pais e as expectativas irrealistas de quem ainda não é”, disse Jessica a ÉPOCA.

Compartilhar abertamente as agruras pode funcionar como válvula de escape. As amigas Trisha Ashworth e Amy Noble, também americanas, dividiram muitas angústias por telefone antes de escrever o livro Eu era uma ótima mãe até ter filhos, lançado no Brasil pela editora Sextante. Com bom humor, elas fazem reflexões do tipo: “Sou uma mãe de quinta categoria por ter gritado com uma criança de 4 anos depois de ela se levantar 12 vezes numa noite?”. Assim como elas, há muita gente produzindo conteúdo crítico para desconstruir a maternidade como um perfeito comercial de margarina – inclusive no Brasil. Os textos ácidos do blog Ombudsmãe, cujo nome faz trocadilho com o profissional contratado para criticar a empresa em que trabalha, são um exemplo. “Duro mesmo é quando surge um chato na forma de filho”, diz um desses textos. “Há os que obrigam os pais a usar cinto de segurança. Os que choram diante do leitãozinho assado. Os que cheiram o hálito da mãe, tornando-se legítimos representantes da patrulha antifumo instalados dentro da nossa própria residência.” Outro é o site Mamatraca, que publica diariamente vídeos que lidam com os paradoxos da maternidade de um jeito sincero e divertido. Uma das colaboradoras escreveu em seu perfil: “Adora Madona, embora ultimamente só escute Backyardigans”. "

 Tem muito mais. Leia aqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Café filosófico: Filhos - melhor não tê-los?



Vale a pena assistir ao programa inteiro, mas se quiser ir direito ao "ponto" comece ali pelos 5 minutos. p.s Clara, obrigada por me enviar o link para este vídeo :)

sábado, 13 de outubro de 2012

Livro + filme feminino = Flor do deserto

Há quem escolha ter filhos. Há quem escolha não ter filhos. Há também quem precise escolher entre parir e viver, e quem morra tentando parir...as vítimas de mutilação genital, infelizmente, e com frequência, enfrentam as duas últimas realidades citadas.

 

Como se a dor alucinante e as sequelas físicas e emocionas para toda vida não fossem um fardo grande o bastante, as mulheres que sofrem mutilação genital (que não morrem de hemorragia, infecção ou alguma outra complicação) ainda correm o risco de nunca se tornarem mães (ainda que desejem fortemente), ou de perderem a vida, caso decidam levar a gravidez adiante.

A história de Waris Dirie, seja em livro ou em filme, é incrivelmente sofrida e inspiradora
. E nos permite refletir sobre a importância de, nós mulheres, nos tornarmos de fato e de direito donas de nossos corpos e de todas as escolhas relacionadas a nossa existência na condição de mulher, assim como da necessidade de conquistarmos e exigirmos esses direitos da sociedade em que vivemos.

 



sábado, 6 de outubro de 2012

Laura S. Scott


"Being childfree does not mean we don’t like children; it means we don’t care to have children of our own. We just want people to accept that: It’s okay to be different, and not everyone has to have kids to be fulfilled. I do know some people get so much joy out of their kids. I see it in my friends who have kids. And I don’t envy that, because I feel like I have so much joy in my own life. I appreciate theirs, and more power to them, but we have our own. This is our way of having joy."

"Nossa escolha de não ter filhos não quer dizer que nós não gostamos de crianças; significa que não queremos ter filhos. Nós apenas queremos que as pessoas aceitem isso: que não é errado ser diferente, e que nem todas as pessoas precisam ter filhos para se sentirem realizadas. Eu conheço algumas pessoas que são muito felizes com os filhos que têm. Eu observo isso na vida dos meus amigos que tiveram filhos. E eu não sinto inveja deles, porque eu sinto que tenho tanta alegria em minha vida. Eu respeito a vida deles, e desejo o melhor a eles, mas nós temos o nosso próprio jeito dde viver. Esta é a nossa maneira de ser feliz."

Laura S. Scott
Autora do livro Two is Enough

Frida Kahlo

Embora o filme Frida não seja baseado em um livro específico, mas sim no que se sabe sobre a vida da pintora mexicana e no que ela mesma deixou marcado no tempo em forma de quadros e palavras, vale a pena ler o Diário de Frida Kahlo desfrutando vagarosamente de cada página para só então correr pra locadora, alugar e assistir a cinebiografia dela. 

 



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Casais brasileiros sem filhos

"Em 1940, a mulher tinha em média seis filhos, hoje tem menos de dois, fazendo a população crescer mais devagar e ficar mais velha. Ao optar por uma família menor, a mulher entrou forte no mercado de trabalho: em 1969, elas eram 27,3% da força de trabalho, em 2009, 43,6%. A renda feminina trouxe a segurança para a mulher seguir seu caminho sem marido e os costumes chegaram à legislação, como a nova lei do divórcio, que dispensa a mediação do juiz. E, lembra o sociólogo Marcelo Medeiros, da UnB, o trabalho feminino distribuiu melhor a renda: menos filhos e mais renda ajudaram a reduzir a desigualdade.

Os casais sem filhos crescem e já chegam a dois milhões. São os dinks, sigla em inglês para “Dupla renda, nenhum filho.”

Leia mais sobre esse assunto na reportagem publicada no dia 25/08/12 no Jornal O Globo.

Uni-vos


Mulheres, irmãs de mundo, uni-vos contra a violência física, psicológica e emocional. Por que esperar até o dia 14 de fevereiro de 2013? Comecemos agora mesmo. 


sábado, 15 de setembro de 2012

A decisão de se tornar mãe


Trecho do artigo "Childfree: the way to be?"
Autora:
Andrea Newell
"A decisão de se tornar mãe representa uma mudança enorme e requer um investimento emocional, financeiro e de estilo de vida gigantesco por anos e anos. Como podemos culpar alguém por analisar honestamente suas esperanças e sonhos e decidir que se tornar mãe não é um deles? O que a nossa sociedade deveria fazer é encorajar e apoiar as pessoas que desejam se tornar mãe e pai, e aplaudir aquelas que se dão conta de que não compartilham do mesmo desejo. Forçar pessoas a aceitarem tamanha responsabilidade é a receita para a infelicidade de todas elas.
Muitas pessoas rotulam a decisão de não ter filhos de egoísta. Egoísta, em minha opinião, é ter filhos para então colocar as nossas necessidades e desejos acima dos deles, resentir o fato de os filhos demandarem um tempo que não estamos dispostas a dar a eles, e fazê-los sentirem que não foram desejados por nós. Dar-se conta de que você não quer seguir um determinado caminho simplesmente significa que você está ciente das demandas psicológicas, emocionais e financeiras que aquele caminho vai exigir e que uma criança não se encaixa nos planos de vida que você tem para si mesma."
Tradução: Nicole Rodrigues


Fonte: http://ecosalon.com/childfree-the-way-to-be/

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