sábado, 12 de julho de 2014

Ser mãe é uma condição subjetiva


Vale lembrar que ser mãe é uma condição subjetiva; nem toda a mulher fértil está apta a exercer a maternidade. Nem ela é mágica capaz de transformar o caráter da mulher.

Mary del Priore

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O que se deve condenar não são as mães, mas a ideologia que incita todas as mulheres a se tornarem mães

O que se deve condenar não são as mães, mas a ideologia que incita todas as mulheres a se tornarem mães
"- A. S. - A senhora foi freqüentemente atacada por sua posição em relação à maternidade, e isso por mulheres. Elas a acusam de recusar a maternidade.
- S. B. - Ah, não! Eu não a recuso! Acho apenas que hoje é uma armadilha infantil para uma mulher. Por isso, aconselharia uma mulher a não se tornar mãe. Mas não faço um julgamento de valor. O que se deve condenar não são as mães, mas a ideologia que incita todas as mulheres a se tornarem mães e em que condições devem sê-lo.
Junta-se a isso uma mistificação perigosa da relação mãe-filho. Acho que se as pessoas dão tanta importância à família e aos filhos é porque, no todo, vivem numa grande solidão: não têm amigos, amor, ternura, ninguém. Estão sós. Portanto, fazem filhos para terem alguém. Dá-se o mesmo com o filho. Ele se torna um substitutivo. Em todo caso, quando cresce, livra-se. Não constitui absolutamente uma garantia contra a solidão".
(SCHWARZER, Alice. Simone de Beauvoir hoje).

Encontrei este texto lá no Grupo de literatura de autoria feminina, da querida Lélia Almeida.

domingo, 20 de abril de 2014

Vivian Maier




Ainda lembro da primeira vez que ouvi falar de Vivian Maier: foi nas manchetes de um jornal há uns 4 ou 5 anos atrás. Se não me engano, foi nos destaques do dia no site da BBC. 

Alguém (que hoje eu sei que se trata do historiador John Maloof) havia comprado uma caixa de fotografias e de negativos em um leilão em Chicago e descoberto um verdadeiro tesouro fotográfico que logo se tornaria inestimável em termos históricos, culturais e artísticos. 

Nada se sabia sobre o fotógrafo anônimo que, para a surpresa de muitos, revelou-se ser uma mulher. Uma americana que havia morado por 25 anos na França, aprendido a falar inglês indo ao cinema, e que trabalhou como babá por cerca de 40 anos. 

Apenas um pouco mais do que isso é sabido sobre esta mulher misteriosa que, aos olhos dos que pensavam conhecê-la, parecia ter vivido uma vida tão comum, quando, na verdade, dedicava-se secretamente à criação de uma obra fotográfica extraordinária.

Sua coleção consiste em mais de 100 mil fotografias tiradas principalmente nos arredores de Chicago, mas também em Nova Iorque, Los Angeles, Manila, Bangkok, Pequim, Egito e Itália, e pode ser dividida em duas grandes categorias: fotografia de rua e autorretratos. Seu olho clínico para o registro de coisas corriqueiras e da expressão dos transeuntes, lhe rendeu o título de mestre da fotografia de rua.

Tudo indica que ela gastava todo o dinheiro que ganhava como babá em manutenção para suas máquinas fotográficas de estimação, comprando e revelando filmes, e arquivando suas milhares de fotos em caixas que guardava cuidadosamente no quarto que seria seu, nas duas ou três casas de família onde morou durante sua vida. 


Há rumores de que no final da vida ela possa ter sido moradora de rua, antes de ser encontrada e assistida por algumas das crianças que ajudou a criar muitos anos antes, e que lhe compraram um apartamento e ajudaram a pagar as contas, até que caiu, ao bater a cabeça no gelo, não se recuperou da queda e morreu em 2009, aos 83 anos. 

Para quem quiser saber mais sobre a vida desta mulher incrível, deixo 3 dicas:

1) Um livro de autorretratos. 



2) Um segundo livro que apresenta uma fantástica seleção de suas fotos de rua. 


3) Um documentário chamado “Finding Vivian Maier”, lançado em 2013, que entrevista amigos e conhecidos da fotógrafa, na esperança de entender melhor como e porquê ela ocultou seu talento e sua obra por tanto tempo. 



domingo, 30 de março de 2014

What women deserve (O que as mulheres merecem)


Esse vídeo é tão maravilhoso que não pude me conter e postei agora mesmo, minutos antes de assisti-lo pela primeira vez, ainda que não haja legendas em português (mas encontrei um link para a transição do áudio, aqui).

Assim que sobrar tempo farei questão de traduzi-lo eu mesma e de postar a versão em português aqui para vocês lerem. Mas, por ora, fica aqui o registro do trabalho da maravilhosa Sonya Renee Taylor, poeta e ativista americana que, neste poema, "What women Deserve", discorre sobre porque as mulheres merecem mais.

Esta obra é centrada na ausência do direito a fazer escolhas que envolvem o nosso próprio corpo, na ausência do direito ao aborto de forma legalizada e com atendimento médico adequado, na ausência do direito de não nos tornarmos mães, e em toda hipocrisia social e polïtica que envolve estes assuntos e que os impede de serem tratados como a escolha individual e instranferível que são.

Nicole Rodrigues

quarta-feira, 26 de março de 2014

Enya



"When I left school, I had a list of priorities headed by 'marriage' and 'children'. That is how, I suppose, as a woman, you are brought up to think. At the same time, as I grew older, I told myself that if it happens, it happens, and that will be fine, but if it doesn't, that will be fine, too." 

"Quando saí da escola, eu tinha uma lista de prioridades que começavam com “casamento” e “filhos”. É assim, penso eu, que uma mulher é levada a pensar. Ao mesmo tempo, à medida em que fui amadurecendo, eu disse a mim mesma: se acontecer, bem. Se não acontecer, bem também." 


Enya
Cantora irlandesa

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Dian Fossey






Aos poucos este blog se transforma em livro. E se não fosse uma das mais recentes entrevistadas – que, aliás, já virou uma grande amiga - eu provavelmente não teria ouvido falar da Dian Fossey. Que agora aparece no nosso mural de mulheres sem filhos (na coluna do lado direito) e ganha uma postagem toda dela.

Dian foi uma zoologista americana que contribui enormemente para a conservação de gorilas em seu habitat natural. Ela dedicou 18 anos de sua vida ao estudo desta espécie e se tornou uma das principais primatologistas do mundo.
Seu livro, Gorilas in the mist ainda é um dos mais lidos sobre os primatas, mesmo tendo sido escrito há mais de 30 anos.

Dian foi assassinada em 1985, aos 52 anos, em Ruanda, em circunstâncias que ainda não foram completamente esclarecidas.
O livro citado acima é uma autobiografia, escrita em 1983. Um filme homônimo e protagonizado por Sigourney Weaver foi lançado em 1988.

Pelo (pouco) que li sobre Dian, parece que este filme é uma mistura da autobiografia de Dian e de um artigo intitulado com o mesmo nome escrito por Harold Hayes - autor de um livro sobre ela chamado The Dark Romance of Dian Fossey - para a revista Life em 1987. 

Também em 1987 foi lançada a primeira biografia sobre ela, chamada Woman in the mists, escrita pelo autor canadense Farley Mowat.

E pelo pouco que entendi, parece que a autobiografia de Dian omite muita coisa (além de obviamente não contar o final da história, já que ela morreu dois anos após ter finalizado a obra), enquanto os dois principais livros escritos sobre ela após a sua morte parecem revelar mais detalhes sobre a personalidade, o estilo de vida e os conflitos pessoais e profissionais enfrentados por ela - por apresentarem um desfecho, páginas de seus diários e entrevistas com pessoas que a conheciam e trabalharam com ela.

É claro que, depois que alguém morre, é bem fácil inventar, aumentar, editar e ocultar muita coisa. Então sempre acho que para nos aproximarmos o máximo possível da verdade, o melhor mesmo é recorrer a vários fontes.

Creio que a leitura destes 3 livros (um dela e dois sobre ela), assim como uma sessão pipoca no sofá para assistir a este filme, podem ajudar a conhecer melhor esta mulher que viveu uma vida extraordinária e partiu deste mundo sem deixar filhos para trás.



Nicole Rodrigues

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Maternidade: direito de escolha (Monica March)


"A maternidade me parece algo mágico. Um ser humano que nasce da combinação de duas pessoas que, salvo exceções tristes, um dia se amaram ou ainda se amam. Um bebê pode acabar ensinando muito mais do que aprende aos que com ele convivem. Crianças cada dia mais inteligentes, divertidas e saudáveis.

Mas, assim como grande parte das mulheres deseja ser mãe, aquelas que escolheram ou decidem não fazê-lo, seja por qual for o motivo, também têm de ser respeitadas. Eu, em dado momento de minha vida, decidi não ter filhos e o fato de nunca gerar uma vida não me faz menos humana ou menos predisposta a amar.

Para algumas pessoas é difícil entender essa posição. Como ir contra a natureza. Acontece que, para mim, nada é contra a natureza. A incompreensão me parece ignorante, crescendo em bases sem estrutura de informação e educação.

Acredito que, aqui, o mais importante de tudo seja transformar esse tema em um dos principais alicerces de um relacionamento. Há anos a história se repete: pessoas que desejam filhos escolhendo quem não quer tê-los e vice-versa. Estão apaixonados e acreditam, pobres almas, que poderão modificar o outro ou seu pensamento com o passar do tempo.

Ninguém muda ninguém. Isso é um fato. E o pior desfecho desta história é não reconhecer a incompatibilidade antes que o tempo passe e um ou mais seres humanos sejam concebidos sem vontade. No final são eles as vítimas da infelicidade e da frustração alheias. Sem contar que aquela pessoa que tanto queria ter filhos poderia ser muito mais feliz com alguém que pensasse como ela.

Estes dias em uma das minhas muitas paradas em livrarias, me deparei com o livro Aprendi com Jane Austen, de William Deresiewicz. Ele, que antes só pensava em James Joyce e Joseph Conrad, se viu com um exemplar de Emma, um dos grandes sucessos de Jane, em suas mãos. “O livro mudou minha vida”, diz o respeitado crítico literário. Por quê? “Fundamentalmente, Jane Austen me ensinou que o que chamamos amor à primeira vista é uma grande incoerência. Também fui criado para um dia, sem mais nem menos, encontrar o amor da minha vida, minha alma gêmea. Mas depois de ler Austen acordei para o fato de que temos que nos preparar para o amor. Estar prontos para ele e conhecer muito bem a pessoa por quem vamos nos apaixonar. As heroínas de Austen casam pelo motivo certo: o amor. E este encontro também se dá no mundo das ideias, dos ideais, dos objetivos.”

As pessoas se encontram no mundo e se relacionam. Mas ainda não sabem a importância da compatibilidade para uma vida em comum. Que o amor vem antes da paixão e devagar. E que ter ou não filhos é um dos tópicos que deveria estar em um dos primeiros lugares nesta lista que, mais do que nos revelar compatíveis, nos coloca em vantagem na busca da felicidade."


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