domingo, 8 de maio de 2011

O dia das Aias


No dia das mães nós vamos falar das Aias, as mulheres que, no mundo criado pela Margaret Atwood, eram forçadas a ter um filho após a outro e existiam exclusivamente para procriar. Elas eram mães, portanto o dia de hoje também é delas, mas eram um tipo bem diferente: mães escravizadas, que não tinham tempo nem condições de idealizar a maternidade, nem de criar laços com os filhos que não desejavam ter. Eram verdadeiras máquinas de parir. Vale à pena visitar o mundo delas e refletir sobre ele.

Sinopse do livro

A história de "O conto da aia", da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes ? tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa ? basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como "liberdade". Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.
 
Como tudo pôde mudar tão rapidamente? Offred, a narradora, responde: "Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (...) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar." Não, este não é um romance pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Margaret Atwood, a grande dama da literatura contemporânea em língua inglesa, publicou-o originalmente em 1985. O livro já é um clássico, há muitos anos adotado nos colégios ingleses, canadenses e americanos.
 
E agora ganha tradução para o português.As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado ? há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome ? Offred é "of Fred", "de Fred", "pertencente ao homem chamado Fred". Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne...As aias são controladas e vigiadas dia e noite.

Elas não têm permissão para escrever nem ler, só podem ir ao banheiro um determinado número de vezes por dia e não devem permitir que nenhum homem veja qualquer parte do seu corpo exposta, nem mesmo os braços. O ideal é que nem seu rosto seja mostrado.

É uma vida triste, mas um destino melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero.Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado.
 
Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Offred escreve em seu diário proibido: "A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora."Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica.
 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mais do mesmo



 


Já faz algum tempo que ando pensando nisso quase sem parar, daí lembrei de um texto da querida Lélia Almeida que começa assim:

Hoje a minha faxineira me disse que nem gosta mais tanto assim do marido, mas que vai continuar com ele. Perguntei o motivo e ela disse, Dona Lélia, ele nem me bate!”

E assim a vida continua ao lado desse porque ele nem me bate, daquele porque ele nem reclama, do outro porque ele nem me trai.

Daí penso: será que nós mulheres poderíamos ter estabelecido expectativas mais baixas em relação aos nossos maridos?

Será que precisamos mesmo nos submeter tanto assim, porque tem mulher que apanha todo dia então se não apanhamos já somos sortudas; se não temos um marido bancando o pai e reclamando de tudo 24 horas por dia já é vantagem, se o marido não enche a nossa cabeça de chifres isso já conta pontos pra ele... Como e quando nós decidimos que o pouco que as mulheres da idade da pedra receberam dos maridos será o pouco que nós também teremos?

Será que esse não é o tipo de herança que é melhor recusar? Porque se não for pra ter um marido bom qual é a razão para ter um marido? Problemas e crises todo casamento tem, afinal de contas são duas pessoas dividindo o mesmo espaço e tentando alinhar sonhos e vontades individuais ao mesmo tempo, mas daí a um casamento inteiro ser um martírio, um sacrifício, um sofrimento contínuo, um dia atrás do outro, como uma fila indiana de frustração, insatisfação, desconsideração e desrespeito.

Antes, quando as mulheres não podiam estudar, não podiam votar, não podiam se divorciar e não podiam escolher seus próprios parceiros, não fazia sentido algum, mas pelo menos historicamente compreendia-se as razões que as forçavam a continuar em um casamento que só as machucava. Mas hoje em dia? Que, pelo menos no nosso Brasil, nós, mulheres, temos direito a tudo? Pode demorar ou custar um pouco mais caro, um pouco mais de esforço, de vontade, mas querendo e se permitindo tentar uma mulher brasileira pode sim chegar a qualquer lugar e posição que desejar, então por que nos contentamos com o pouco que nos dão? Com esmola, com resto?

E não adianta dizer que não existe homem bom porque existe. O que não existe é oferta sem demanda. Se não tem quem queira o produto ele sai do mercado e é obrigado a ser reformulado até agradar os consumidores. Se marido que bate for denunciado, se marido que trai for largado, se marido que reclama o dia todo for recriminado, uma coisa ou outra vai ter que acontecer: ele vai mudar, ou você vai largar. Pode não ser na primeira vez, mas opção você tem. O quanto vai durar, quantas chances você vai dar, quantas vezes você vai tentar, vai avisar ou vai perdoar, é decisão e problema seu, mas não venha me dizer que não tem solução porque tem.

Se o cara não muda, não melhora, e nem tem intenção de mudar o que diabos você ainda está fazendo aí? Cada dia nessa situação é um a menos de felicidade e um a mais de mais do mesmo. E não adianta culpar os filhos ou a velhice porque no final a decisão de continuar nos trilhos da infelicidade é sua e só sua, de mais ninguém.

E quem acha que não é bem assim deveria ler o livro “Quando as mulheres rompem” da Isabelle Yhuel. Segue o meu trecho favorito abaixo.

"Madeleine, 68 anos, pediatra.

Ao final de três meses de mais uma reforma na casa, compreendi que apesar das aparências eu não tinha vivido com Victor. Depois de 20 anos roçávamos na vida como ao longo dos corredores dessa casa que habitávamos, onde cada um tinha o seu quarto num extremo já que a rotina de nossas vidas não era a mesma, estando Victor insone metade da noite. Ele era diretor adjunto de uma sociedade, trabalhava muito, viajava muito, e eu era pediatra. Portanto tínhamos levado com os nossos filhos uma vida familiar bastante frouxa. Victor tinha sido casado uma primeira vez e eu também, antes de nos casarmos. A reforma foi um momento terrível, porque mesmo tendo cada um de nós mantido as ocupações, o cotidiano depressa foi de faísca entre nós! Revelávamos ser totalmente insólitos um ao outro, não tínhamos de modo algum evoluído da mesma maneira. Victor tinha se ocupado de curiosidades culturais e sociais, que partilhávamos antes, curvado sobre um mundo de questões superficiais que não me interessava, o mundo das aparências, e eu não tinha grande coisa a partilhar com as pessoas que ele freqüentava. Já eu tinha amigos com os quais ele se aborrecia. E, depois, ele estava sempre ocupado. Todos os dias ele tinha a necessidade de organizar dezenas de coisas a serem feitas no dia seguinte, enquanto eu tinha o desejo de suspender o tempo e aprender a andar e a viver devagar. Eu desejava o tempo como um vasto espaço aberto diante de mim, o que só acontece tarde na vida, quando os filhos já estão grandes e nos sentimos mais sozinhas. Como estávamos ambos sob a influência desta passagem à reforma, que não é uma etapa fácil de gerir, eu me conformei. Mas tudo ia de mal a pior. Ao escutá-lo eu não o ouvia. Eu não suportava a presença constante dele na minha vida, nas minhas decisões, na minha rotina. O modo como ele se apropriava de todos os cômodos; tinha a sensação de que ele estava em todo lado ao mesmo tempo, deixando rastros de bagunça, embora ele dispusesse de um escritório na casa, e eu não. Eu não tinha um lugar em minha própria casa onde eu pudesse estar tranqüila, sozinha, sem ser interrompida. Então eu acabava me forçando a sair da casa na tentativa de encontrar algum conforto até finalmente ficar esgotada e de mau humor. Quando chegava, fatigada, temia que ele lá tivesse porque ia fazer perguntas , ligar a televisão. Achava-o extremamente barulhento. Claro que havia também momentos de cumplicidade e riso, mas o prazer a dois era tão pequeno e escasso em relação ao peso da vida cotidiana com que atingia os meus nervos.

Por vezes eu soltava um “Precisamos nos separar”, mas sempre soava tão ridículo nas nossas idades... começar de novo...

A minha irmã mais velha me ajudou sem saber. O marido dela, que sempre tinha sido autoritário, se aposentou e a partir desse momento a convivência deles se tornou insuportável. Ela dizia que vivia os anos mais difíceis de sua vida, com ele sempre por perto a reclamar. Vê-la assim tão infeliz, me fez tomar uma decisão. Disse a mim mesma que aquela não era a velhice que eu queria pra mim e preveni Victor de minha intenção de nos separarmos. Mas ele achou que não aconteceria e nem se deu ao trabalho de discutir. Então uma tarde eu disse: Amanhã eu irei embora. “Você não me avisou que tinha uma viagem organizada com amigos” respondeu ele pois pensou que as malas eram pra uma viagem. Eu não parto em viagem. Fico nesta cidade ou país mas amanhã deixarei essa zona. Então ele me ameaçou, lembrou-me que eu não tinha nada, visto que a enorme casa onde vivíamos era dele, havia sido comprado com o dinheiro dele. Fez-me uma chantagem banal citando o dinheiro. Eu tinha consciência de que uma forma de bem-estar iria desaparecer da minha vida, mas também tinha consciência de que me restavam, na melhor das hipóteses, dez ou quinze anos para viver com boa saúde, ainda viva e curiosa, e estes anos seriam, por outro lado, mais preciosos do que qualquer conforto que aquele casamento pudesse me garantir. Portanto mantive a minha decisão. Então ele pôs-se a chorar disse que não suportaria ficar sozinho, e entrou em pânico como uma criança. Isto reforçou a minha decisão, eu não queria viver com alguém unicamente PR razões práticas pra ele e pra um conforto recíproco. Eu a governanta, a secretaria, a faz-tudo, ele o rei que me sustenta.

Aluguei um apartamento bonito de 3 cômodos e um preço bem razoável. Preveni os amigos de que substituiria o salmão pela lentilha, mas os encontros para bater papo seriam os mesmos. Os meus filhos reprovaram, mas depois se acostumaram com a idéia. Eles e os meus amigos tinham medo por mim, pensavam que eu sentiria falta dele, ou do conforto. Todos hoje estão tranqüilos depois de verem no meu rosto e ouvirem na minha voz que esta ruptura foi uma libertação.

Eu não estou só, mas livre, não é a mesma coisa e não penso em voltar a viver com alguém. Parece estranho levantar essa questão agora que tenho 65 anos, pois imaginamos que com esta idade toda a vida de sedução terminou. Eu própria pensava assim. Com o meu marido nós quase já não fazíamos amor. Atualmente eu vivo uma verdadeira relação amorosa. Quando me vou encontrar com esse homem o meu coração bate, e eu estou lá de corpo e coração. Vivendo só eu descubro todos os dias que sou diferente do que eu pensava. Claro que chegará um momento em que as minhas forças declinarão, em que estarei cada vez mais doente. Será preciso ficar com o meu marido unicamente para sermos um dia enfermeiros um do outro? Não quero alienar o meu presente para um possível futuro, o qual não sabemos nem como será. Encontrarei soluções à medida que as dificuldades se apresentarem, como fazem tantas mulheres sozinhas, viúvas ou celibatárias.
Só hoje compreendo o que significa a palavra independência. Eu era uma mulher autônoma, mas me pergunto até que ponto a personalidade e o estilo de vida de Victor me limitaram a uma vida que não é a minha escolha. Amo a minha independência.
Hoje em dia, aprendo a ser suficiente para mim mesma, a pensar por mim mesma, a mudar a minha vida quando decido, a não me colar a códigos de conduta ou decência, a ser livre!"

Nicole Rodrigues






domingo, 1 de maio de 2011

Complexo de Cinderela


"We’ve been groomed and educated for dependency – for motherhood, for wifedow; for what is really, when we sit down and analyse it, an infinitely extended childhood. When marriages break-up, women are often profoundly shocked to find themselves in charge of their own lives for the first time. Deep down they had always believed that to be supported and taken care of by someone else was their God-given right."

"Nós fomos criadas e educadas para sermos dependentes – para sermos mães e esposas; para o que, na verdade, quando nós paramos para analisar, é a extensão de uma infância infinita. Quando os casamentos acabam, as mulheres ficam profundamente chocadas ao perceberem que estão no controle de suas vidas pela primeira vez. No fundo elas sempre acreditaram que ser cuidada e sustentada por outro alguém é um direito que lhes foi dado por Deus."

Colette Dowling
Autora do livro "Complexo de Cinderella"

Tradução: Nicole Rodrigues




terça-feira, 26 de abril de 2011

Acabando com o mito - Semana de conscientização sobre a infertilidade (de 24 a 30 de abril)


O número de mulheres inférteis e de mitos sobre a infertilidade é tão grande que a Associação Americana de Infertilidade decidiu criar a Semana de conscietização sobre a infertilidade. Uma semana dedicada a acabar com os mitos sobre a infertilidade e compartilhar informações sobre diferentes formas de se construir uma família.

Como você pode ajudar? Comece educando a si mesma. Pesquise sobre o tema e aprenda o máximo que puder, depois compartilhe essas informações com a sua família e amigos.


Você é infértil? Então escreva e compartilhe a sua história conosco (via email, blog, comentários).

Você tem um blog? Então publique em seu blog algum artigo acadêmico, matéria de jornal ou estudo científico sobre o tema. E, se quiser, publique o link do seu post sobre a fertilidade aqui nos comentários do útero vazio para que outras pessoas interessadas no assunto possam ler as informações que você escolheu compartilhar.

Mãos à obra uterinas!

Nicole Rodrigues 

domingo, 24 de abril de 2011

A minha tese




A Angela Carneiro, uma escritora e ilustradora muito talentosa (com quem eu esbarrei na internet nos últimos dias e que passei a seguir) veio visitar o útero vazio e me enviou o seguinte comentário:

"Gostaria de entender melhor a sua tese!"

Lá fui eu responder o comentário e quando vi já não cabia mais no espaço destinado à mensagem, então a minha resposta acabou virando esse post, o que no fim das contas é uma coisa boa já que permite que eu compartilhe, mais uma vez, o que me levou a criar esse blog.

A minha tese, que eu nunca chamei de tese até hoje, nada mais é do que experiência própria. Nós, mulheres, fomos e somos moldadas desde pequenininhas não só a desejar mas a aceitar incondicionalmente a maternidade como algo intrínseco à nossa existência. Nasceu mulher = vai parir e só então experenciará a evolução absoluta, o amor maior, o sacrifício divino; só então entenderá a importância de ser mulher, etc, etc, etc. Como se a condição feminina fosse uma ciência exata, como a matemática, ou prevista por natureza e por lei.

O que funciona muito bem para quem quis e quer ter filhos, quem desejou ou assimilou esse amor maternal "nato" que brotou, cresceu e se instalou tão naturalmente em suas vidas. Mas e quem não se sente assim? Quem nunca sentiu esse desejo brotando? Quem não deseja parir, não deseja adotar, não deseja ser mãe? E quem ainda não decidiu? Quem, em vários momentos, pensou: será que eu quero isso pra mim? Onde é que essas mulheres todas cabem, vivem, se escondem? Onde é que esse debate, esse questionamento, essa reflexão individual em um meio coletivo acontece? Não acontece.

Simplesmente não há espaço em nossa sociedade para isso. O que existe é o estigma, o preconceito, o desrespeito. O que se ouve é um coral de vozes a repetir: “Ela é egoísta, é imatura, nunca vai se sentir completa, deve ser infértil a coitada, o marido vai largar por outra que queira dar filhos pra ele, essa pobre vai envelhecer sem ter quem cuide...” sempre partindo do pressuposto de que a situação da mulher que não pode ter filhos deve suscitar piedade, e de que a escolha consciente de não ter filhos deve despertar o desprezo ou o julgamento. “Ela não sabe o que está fazendo, está cometendo um erro e vai se arrepender.”

E as poucas mulheres que não sentiram o desejo de se tornarem mães e decidiram não ceder à pressão social e seguir adiante sem filhos acabam passando o resto de suas vidas à margem e temendo pelo dia em que, de acordo com os outros, descobrirão que tomaram a decisão errada.

A minha tese, dona Angela, é que já passou da hora de abrir espaço para quem ao menos se permite questionar esse condicionamento para saber se ele virou desejo mesmo ou não, porque só através desse questionamento é possível tomar uma decisão de forma consciente e não apenas automaticamente, achando que ter filhos é o que devemos fazer, porque é isso o que esperam de nós.

A maternidade consciente deve ser uma benção. Uma experiência incrível sem sombra de dúvida. Mas a maternidade indesejada, por sua vez, deve ser a pior maldição. Então tratemos de enfrentar o medo de descobrir se queremos mesmo nos tornar mães. Lendo sobre outras mulheres ao redor do mundo que através de livros, desenhos, quadros e diários compartilharam conosco seus medos, dúvidas, descobertas e certezas sobre uma vida sem filhos.

Este espaço é para todas elas, é para todas nós, que agora temos um útero vazio repleto de informações que podem nos ajudar a tomar ou entender melhor a nossa decisão sobre a maternidade.

Quem decidir que quer ter filhos tem mais é que ter mesmo, quantos quiser, paridos ou adotados, e ser muito feliz. Filhos desejados, que venham todos! E quem não pode ou decide não tê-los deve poder seguir em paz sabendo que o mundo também pertence a elas e que elas não estão sozinhas no mundo. Já que o mundo não é feito só de filhos.


Nicole Rodrigues


p.s. aqui vai o link para o Cafézinho com biscoito, o delicioso blog da Angela.



Imagem: A woman reading by a window de Vilhelm Hammershoi
Fonte:
http://www.friendsofart.net/en/artists/vilhelm-hammershoi

sábado, 23 de abril de 2011

Beatrix Potter e Pedro Coelho

E quem disse que o útero vazio não tem post especial de páscoa? Tem sim senhoras. Com coelho e tudo.

Com vocês: o Pedro Coelho. 


O personagem mais famoso de um útero vazio muito especial: a Beatrix Potter, escritora e ilustradora de livros infantis que se dedicou à arte de criar lindos personagens, muitas vezes baseados em seus próprios animais de estimação. O Pedro mesmo foi um deles. Um coelho que segundo ela era “muito preguiçoso e adorava deitar no tapete perto da lareira”. A história desse coelhinho que aprontou muitas travessuras nos jardins do senhor McGregor foi publicada em 1902 e desde então já vendeu mais de 45 milhões de cópias em todo o mundo!



Para quem quiser saber os detalhes das aventuras do Pedro Coelho fica a dica: volte a ser criança e leia um dos livros infantis mais queridos de todos os tempos.




Para quem quiser saber mais sobre a Beatrix, que só casou aos 47 anos e nunca teve filhos, assista ao filme baseado em um período da vida dela e dê uma olhada nos links indicados abaixo no "leituras adicionais".



Se você quiser passar a páscoa colorindo o Pedro Coelho da Beatrix: clique aqui!


Feliz Páscoa queridas uterinas!


 

Fontes e leituras adicionais:
Texto (biografia) sobre Beatrix: http://www.leme.pt/biografias/beatrix-potter/
Como tudo começou: http://www.angela-lago.com.br/1Potter.html
Desenhos do Pedro Coelho para colorir: http://www.desenhosparacolorir.org/desenhos/61-desenhos-para-colorir-Peter-Rabbit.html

Site oficial do Pedro Coelho (em inglês): http://www.peterrabbit.com/
Visite a casa da Beatrix: http://www.nationaltrust.org.uk/main/w-vh/w-visits/w-findaplace/w-hilltop
Childless Beatrix: http://lifewithoutbaby.wordpress.com/2011/03/12/beatrix-potter/


domingo, 17 de abril de 2011

A razão


"There's a time when you have to explain to your children why they're were born, and it's a marvelous thing if you know the reason by then."

"Um dia você precisará explicar aos seus filhos por que eles nasceram, e este poderá ser um momento maravilhoso se quando ele chegar você souber a razão."

Hazel Scott
Cantora e pianista nascida em Trinidade e Tobago e criada nos Estados Unidos

Foto: Hazel e o filho Adam Clayton Powell III
Tradução: Nicole Rodrigues


sexta-feira, 8 de abril de 2011


EMPTY UTERUS
My first born will never be born
and will never be mine.
He or she will only exist
in the uterus of someone
I did not dare to be.
Nicole 

quinta-feira, 24 de março de 2011


"Nós mulheres sofremos do mal de estarmos condicionadas e limitadas pela forma como somos definidas."

Citação do livro
"Charlotte Brontê - The self conceived" de Helene Moglen

domingo, 20 de março de 2011


"Being childless means what it says: a lack of children, not a lack of ability, a lack of empathy or a lack of humanity."

"Não ter filhos significa exatamente isso: a falta de filhos, e não a falta de capacidade, a falta de empatia, a falta de humanidade."


Ruth Sunderland
(Editora do jornal britânico "The Observer")
Tradução: Nicole Rodrigues

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os 10 piores e melhores países para ser mulher

E aqui vai uma dose de realidade que amplia os nossos horizontes e nos ajuda a mapear as condições gerais enfrentadas pelas mulheres ao redor do mundo.

"Temos hoje no mundo mais de 3,4 bilhões de mulheres segundo estatísticas do census.gov. Hoje em dia o sexo feminino ocupa lugares de importância a nível econômico, político e social. Contudo, existem algumas nações que seguem destratando o sexo feminino. Na seqüência mostro os melhores e piores países para as mulheres, de acordo com o informe Global da diferença de gênero 2010, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, que avalia a participação trabalhista, educação, saúde e expectativa de vida, e poder político em 132 países.

1. Islândia. Neste país nórdico a média da expectativa de vida das mulheres é de 75 anos de idade. 81% das mulheres é parte da força trabalhista. 56% dos trabalhadores técnicos e profissionais são do sexo feminino. A idade do casamento é aos 28 anos e têm dois filhos em média.

2. Noruega. As mulheres norueguesas casam-se, em média, aos 32 anos de idade e têm 2 filhos em média. 76% trabalham só 2% das mulheres adultas estão desempregadas. 99% das pessoas do sexo feminino têm um grau de educação.

3. Finlândia. A população total da Finlândia 5.3 milhões de pessoas. 74% das mulheres participam do mercado trabalhista. As finlandesas, em média, casam aos 30 anos, vivem 75 anos e têm 1,8 filhos.

4. Suécia. 77% das mulheres suecas fazem parte da força trabalhista do país europeu e só 7% em idade adulta estão desempregadas. As suecas casam, aproximadamente, aos 32 anos de idade, têm uma expectativa de vida de 75 anos, e ocupam mais de 45% dos postos políticos.

5. Nova Zelândia. A população neozelandesa alcança os 4 milhões de pessoas. As mulheres tem um papel fundamental. 72% delas são parte da força de trabalho no país e 55% dos profissionais e trabalhadores técnicos são mulheres. 99% das neozelandesas têm educação. Em média casam-se aos 26 anos de idade e têm dois filhos.

6. Irlanda. 64% das mulheres da Irlanda trabalham. Dos empregados profissionais e técnicos no país, 53% são mulheres; só 5% das mulheres adultas estão desempregadas. A idade média em que casam é aos 31 anos.

7. Dinamarca. As mulheres dinamarquesas têm uma expectativa de vida de 73 anos de idade. Em média, casam-se aos 31 anos de idade e têm 1.8 filhos. 99% delas são escolarizadas, 76% faz parte da força trabalhista e só 4% das mulheres adultas estão desempregadas.

8. Lesoto. As mulheres deste país sul-africano tem um papel importante. 95% das mulheres são alfabetizadas e 72% fazem parte da força trabalhista. Dentro dos serviços profissionais e técnicos, 58% são mulheres, e em atividades legislativas e oficiais ocupam 52%.

9. Filipinas. Este país tem uma população superior aos 90 milhões de habitantes. As mulheres vivem em média 64 anos, cinco a mais que os homens. 51% das pessoas do sexo feminino trabalham e dentro do campo profissional ocupam 61%.

10. Suíça. 99% das mulheres suíças são alfabetizadas e 76% delas trabalham. 48% dos empregados profissionais e técnicos são mulheres. A expectativa de vida para as pessoas do sexo feminino é de 76 anos, casam-se aproximadamente aos 29 anos e têm 1.5 filhos em média.

As nações em que as mulheres são discriminadas e proibidas de realizar atividades básicas são:

1. Iêmen. 43% das mulheres são alfabetizadas e só 21% participam da força trabalhista.

2. Chade. 22% das mulheres são alfabetizadas. A idade média de casamento é de 18 anos e têm em média 6,6 filhos. A expectativa de vida é de 40 anos.

3. Paquistão. 22% das mulheres trabalham. 40% das mulheres são alfabetizadas.

4. Mali. As mulheres de Mali casam-se aos 18 anos e têm 5.5 filhos em média. 39% delas pertencem à força trabalhista do país e só 18% são alfabetizadas. Existe um alto índice de mutilação genital, a ablação, para que a mulher não sinta prazer na hora do sexo.

5. Costa de Marfim. 51% das mulheres trabalham; no entanto, as mulheres sofrem também a mutilação genital.

6. Arábia Saudita. 22% das mulheres participam da força trabalhista do país, mas existe uma grande disparidade quanto a postos políticos, só 8% são ocupados por mulheres.

7. Benin. 28% das mulheres fazem parte da força trabalhista e dentro do âmbito político só ocupam 7% dos postos.

8. Marrocos. 44% das mulheres do Marrocos são alfabetizadas e 28% trabalham.

9. Turquia. 22% das mulheres trabalham. Existe uma grande disparidade em postos de maior poder econômico, já que só 3% é ocupado por mulheres.

10. Egito. 24% das mulheres trabalham e dentro do campo profissional, 34% são do sexo feminino. Ademais, existe um considerável número de mutilações genitais.

E o Brasil?
Nosso país ocupa o posto 85º da lista. De acordo com dados do Relatório, 93% das brasileiras são alfabetizadas, 27% tem formação superior. São 64% da forma de trabalho. Ainda que tenha sua primeira presidente somente 9% ocupam cargos políticos. Nossas mulheres casam em média aos 23 anos e têm 1,9 filhos."


Fonte:
The global gender gap report: http://www3.weforum.org/docs/WEF_GenderGap_Report_2010.pdf
Os 10 piores e melhores países para ser mulher: Metamorfose Digital - http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=17700#ixzz1GKr8dGCs

terça-feira, 8 de março de 2011

Serviços públicos que atendem mulheres vítimas de violência


No dia internacional das mulheres lembre-se da importancia de contarmos umas com as outras e de trabalharmos ou sermos voluntárias em instituições de apoio às mulheres. Entre em contato com as instituições operantes na sua cidade (veja a lista abaixo) e ofereça a sua ajuda, o seu tempo. Envolva-se em campanhas de conscientização e arrecadação de doações.

Serviços públicos que atendem vítimas de violência

Bem-Vinda – Centro de Apoio à Mulher
Belo Horizonte/MG
Orienta mulheres em situação de risco e, se necessário, encaminha à Casa Abrigo Sempre-Viva (31) 3277-4379 / 3277-4380

Casa-Abrigo
São Luís/MA
(98) 3227-5697

Casa Abrigo Maria Aydée Pizarro
Abrigo temporário para mulheres em situação de violência doméstica e seus filhos
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2222-0681, ramais 205/206
riomulher@pcrj.gov.br

Casa Beth Lobo
Serviço Público Municipal
Serviço de atendimento à mulher vítima de violência
Diadema/SP
(11) 4056-3322 / 4057-7727, das 8h às 17h, dias úteis
casa.bethlobo@itelefonica.com.br

Casa da Mulher Bertha Lutz
Presta assistência jurídica, psicológica e social.
Volta Redonda/RJ
(24) 3346-1299
casadamulher@portalvr.com.br

Casa de Apoio Viva Maria
Porto Alegre/RS
0800-642100

Casa de Saúde da Mulher Prof. Dr. Domingos Delascio
Departamento de Medicina Fetal e Violência Sexual da Unifesp
Irene England Schoereder – enfermeira
Atendimento de violência sexual com uma equipe multiprofissional (psicólogos, médicos, enfermeira, assistente social)
São Paulo/SP
(11) 5084-4997
violenciasexual@epm.br

Casa Eliane de Grammont
Serviço Público Municipal
Graziela Acquaviva – coordenadora de projetos
Projeto: Atendimento profissional às mulheres em situação de violência
São Paulo/SP
(11) 5549.0335 / 5549-9339, das 8h às 17h, dias úteis
casaeliane@prefeitura.sp.gov.br

Casa Rosa Mulher
(ligada à Coordenadoria Municipal da Mulher; lá fica o Centro de Referência para Mulheres em Situação de Violência)
Rio Branco/AC
(68) 3224-5117

Casa Sofia
Jd. Ângela - São Paulo/SP
0800-770-3053, das 8 às 20 horas, exceto aos domingos, ou 5831-3053 (escritório), das 9 às 18 horas, dias úteis
casasofia@uol.com.br

Casa Viva Mulher
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro/RJ
(21) 391-1635 / 470-3601, 24 horas

CAVIV (Centro de Apoio a Vítimas da Violência)
Sta. Efigênia – Belo Horizonte/MG
(31) 3277-9761
caviv@pbh.gov.br

Centro de Apoio à Mulher em Situação de Violência "Vem Maria"
Serviço Público Municipal
Léa Gomes da Cruz Soares – coordenadora
Projeto: Vem Maria
Santo André/SP
(11) 4992-2936
lgcsoares@santoandre.sp.gov.br

Centro de Apoio Renascer
Programa de Apoio à Mulher Vítima de Violência Doméstica
Governador Valadares/MG
(33) 3212-0802
centrodeapoiorenascer@hotmail.com

Centro de Atendimento à Mulher
Campo Grande/MS
(67) 367-7519

Centro de Atendimento à Mulher
Recife/PE
(81) 3231-2415

Centro de Atendimento à Mulher, a Criança e ao Adolescente
Camapuã/MS
(67) 286-2585 / 286-1105

Centro de Atendimento à Mulher - CAM
Londrina/PR
(43) 3341-2312
campml@sercomtel.com.br

Centro de Atendimento à Mulher Cuña Mbareté
Campo Grande/MS
(67) 362-2705 / 361-7519 / 361-6191 / 361-8632 e SOS 0800-671236

Centro de Atendimento à Mulher Viva a Mulher
Dourados/MS
(67) 411-7147

Centro de Atendimento S0S Mulher
Rede de Apoio a Mulher Viva Maria
Independência – Cachoeiro de Itapemirim/ES
(28) 9885-3130, de 2ª a 6ª, das 9h às 18h

Centro de Referência da Mulher
Aracaju/SE
(79) 259-2885
centrodamulher@ig.com.br

Centro de Referência da Mulher Márcia Dangremon
Olinda/PE
(81) 3429-2707
crmolinda@yahoo.com.br

Centro de Referência da Mulher “Vânia de Araújo Machado”
Centro – Porto Alegre/RS
(51) 3225-5535 / 3221-4434 / 0800-541-0803

Centro de Referência de Apoio à Mulher Vítima de Violência
Prainha – Vila Velha/ES
(27) 3388 4272, 2ª a 6ª, das 8h às 18h

Centro de Referência e Apoio Diagnóstico
Goiânia/GO
(62) 524-8720 / 8719

Centro de Referência e Atendimento a Mulheres em Situação de Violência Francisca Clotilde
Benfica – Fortaleza/CE
(85) 0800-280-0804 / 3105-3415 / 3417



Centro de Referência em Atendimento Infanto-Juvenil – CRI
Porto Alegre/RS
(51) 3289-3367

Centro de Referência Mulher Cidadã
Natal/RN
(84) 3232-9299 / 3232-4750

Centro "Dra. Terezinha Ramires" de Atendimento e Referência a Mulheres Vítimas de Violência Doméstica
Maceió/AL
(82) 3315-5310

Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM)
Parnamirim/RN
(84) 3644-8372

Centro Risoleta Neves de Atendimento
Belo Horizonte/MG
(31) 3261-3236 / 3261-4421

CEOM – Centro Especial de Orientação à Mulher
São Gonçalo/RJ
(21) 2628-8228 / 6607-4355

CEVIC - Centro de Atendimento a Vítimas de Crimes
Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão
Florianópolis/SC
(48) 224-6462

COMVIDA – Centro de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica
Encaminhamento 1ª Delegacia da Mulher
São Paulo/SP
(11) 3241-3328, todos os dias, 24 horas


CRAVI – Centro de Referência e Apoio à Vítima
Serviço do Governo do Estado de São Paulo /Secretaria da Justiça
Fabrício Toledo – Coordenador Geral
Projeto: Atendimento psicológico, social e jurídico a familiares de vítimas de homicídio e latrocínio
São Paulo/SP
(11) 3666-7778
cravi@justica.sp.gov.br

CRVV - Centro de Referência às Vítimas de Violência
Bairro Cidade Baixa – Porto Alegre/RS
0800-642-0100

Núcleo de Atendimento à Família e Autores de Violência Doméstica e Sexual (NAFAVDS)
Atendimento psicológico, fisioterapêutico, jurídico e social, individual ou em grupo.
Brasília/DF
Tel.: (61) 3321-2280
psi.lima@gmail.com

Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher Cidinha Kopcak
São Mateus - São Paulo/SP
(11) 6115-4195

NUDEM – Núcleo Especializado no Atendimento à Mulher Vítima de Violência
Centro - Rio de Janeiro/RJ
(21) 2240-3377, ramais 132 ou 134

Pró-Vida - Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica
Secretaria de Direitos Humanos – Prefeitura Municipal da Serra
Serra/ES
(27) 3328 7500, 2ª a 6ª, das 8h às 18h

SOS Mulher - Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência do Hospital Pedro II
Oferece serviço médico, psicológico e atendimento social.
Rio de Janeiro/RJ
(21) 3395-0123 / 3395-0313

Fonte:
http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=102

segunda-feira, 7 de março de 2011


"Having a baby is like getting a tattoo on your face. You really need to be certain it's what you want before you commit."

"Ter um bebê é como fazer uma tatuagem na cara. Você realmente precisa ter certeza que é isso que você quer antes de se comprometer."


Elizabeth Gilbert
(autora do livro Comer, Rezar e Amar)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ser ou não ser mãe? Eis a questão.

Livros que podem ajudar a compreender e resolver a sua dúvida.









Alguns dos livros que compõem essa lista nada mais são do que uma longa e aprofundada reflexão sobre as conseqüências, vantagens e desvantagens da vida sem filhos, um estilo de vida que passou a ser chamado de “childfree”. Essa lista também conta com alguns livros que se concentram nas complicadas questões do amor materno e todos os valores agregados ao papel da mãe.

O mais importante é que todos esses livros oferecem a oportunidade de visualizarmos uma vida sem filhos, nem que seja apenas durante o tempo da leitura, e isso pode ajudar muitas de nós não só a decidir, mas a descobrir, até que ponto queremos e estamos prontas para nos tornamos mães, ou ainda, até que ponto queremos e estamos prontas para abrirmos mão dessa experiência.
Nicole Rodrigues

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Será que eu quero me tornar mãe?"


Este livro é um guia informativo sobre a decisão de ser mãe.


"Muitas mulheres não têm certeza sobre qual seria o melhor momento para se tornarem mães. Outras pensam desejar um filho mas não têm certeza se realmente querem assumir tamanha responsabilidade. Há também as que não querem ter filhos, mas têm medo de se arrepender no futuro, quando será tarde demais para engravidar. "Do I Want to Be a Mom?” (Tradução livre: Será que eu quero me tornar mãe?) oferece informações, reflexões e caminhos necessários para que cada mulher possa decidir o que é melhor para si.

A autora, a Dr. Diana Dell, uma especialista em psiquiatria, ginecologia e obstetrícia discute os aspectos emocionais, físicos, sexuais, sociais e financeiros da decisão de se tornar mãe e com a ajuda da escritora Suzan Erem, ela nos conta histórias de mulheres que falaram abertamente sobre as alegrias, arrependimentos e triunfos de se tornarem mães ou de abrirem mão dessa experiência."

Nota pessoal: o que eu acho mais bacana nesse livro é o que destaquei em negrito. Um livro que permite que cada mulher escolha o que fazer de acordo com o que julga ser melhor para si. E não para os outros, para o marido que quer um filho, para o pai que quer um neto, para o resto da família que não pára de perguntar quando o neném vai chegar. Este livro não generaliza, não recruta, não segrega e nem condena qualquer que seja a sua decisão. Porque ela é sua, e só sua. E esse é o lema deste blog: a decisão de tornar-se mãe é individual e intransferível.

Texto: sinopse do livro (original em inglês)
Fonte do texto: Buy.com
Tradução: Nicole Rodrigues

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Anne Frank



No dia 05 de abril de 1944 Anne Frank escreveu em seu diário:


"I finally realized that I must do my schoolwork to keep from being ignorant, to get on in life, to become a journalist, because that’s what I want! I know I can write ..., but it remains to be seen whether I really have talent ...

And if I don’t have the talent to write books or newspaper articles, I can always write for myself. But I want to achieve more than that. I can’t imagine living like Mother, Mrs. van Daan and all the women who go about their work and are then forgotten. I need to have something besides a husband and children to devote myself to!"


"Eu finalmente me dei conta de que preciso continuar a estudar para evitar que eu seja ignorante, para continuar a viver, para me tornar uma jornalista, porque é isso o que eu quero! Eu sei que posso escrever... mas ainda preciso descobrir se realmente tenho talento...

E se eu não tiver talento para escrever livros ou artigos em jornais, eu sempre poderei escrever sobre mim mesma. Mas eu quero conquistar mais do que isso. Eu não consigo me imaginar vivendo como a mamãe, a Mrs. Van Daan e todas as outras mulheres que se dedicam ao trabalho e então são esquecidas. Eu preciso me dedicar a algo que não seja apenas marido e filhos!"

Anne Frank

[Tradução: Nicole Rodrigues]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A biografia de Maria da Penha


Conheça a história de Maria da Penha, a mulher que lutou por 19 anos para ver seu marido e agressor na cadeia e deu nome à Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

"Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abri os olhos. Não vi ninguém. Tentei mexer-me, mas não consegui. Imediatamente fechei os olhos e só um pensamento me ocorreu: 'Meu Deus, o Marco me matou com um tiro.'

Um gosto estranho de metal se fez sentir, forte, na minha boca, enquanto um borbulhamento nas minhas costas me deixou ainda mais assustada. Isso me fez permanecer com os olhos fechados, fingindo-me de morta, pois temia que Marco me desse um segundo tiro."

Maria da Penha

Rede Social Maria da Penha

(clique na foto para saber quem é Maria da Penha)

Uma rede social com o objetivo de reunir pessoas interessadas em compartilhar informações sobre a Lei Maria da Penha e sua aplicação. Vale à pena conferir e participar!


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Infiel" de Ayaan Hirsi Ali


Texto: Leituras de 2010, não-ficção.
Autora: Cris Lasaitis

"Ayaan Hirsi Ali, hoje uma cidadã holandesa de 41 anos radicada nos EUA, tem o que se pode chamar de uma história de vida de arrepiar.

Nascida na Somália, aos 5 ela sofreu a mutilação genital, como acontece a praticamente todas as meninas na cultura somali. Esse procedimento é feito por cortadeiras que, como as tradicionais parteiras, são mulheres do povo convocadas pelas famílias, e o trabalho é feito sem anestesia, sem instrumentos apropriados, sem ambiente esterilizado e em geral, em situações precárias. A menina precisa ser segurada enquanto o clitóris e os pequenos lábios da vagina são extirpados, os grandes lábios são seccionados e suturados com espinho de acácia, deixando um buraquinho minúsculo para o escoamento da urina e da menstruação – no período de cicatrização esse buraco é mantido aberto por um palito de fósforo, e as pernas precisam ficar amarradas durante semanas. A vulva desaparece e no seu lugar fica uma cicatriz rígida e, por vezes, apertada e dolorida. Quando a mulher se casa, na noite de núpcias a cicatriz é aberta a faca pelo marido. Quando vai dar à luz o primeiro filho, é necessário aumentar o corte. E algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente suturada. As meninas que não são cortadas são estigmatizadas na sociedade somali, então praticamente todas o são (não sei se o costume perdura até hoje). Muitas morrem de infecção após a mutilação genital, muitas outras morrem de complicações decorrentes do procedimento: e todas sofrem com o trauma e as dores resultantes.

Essa experiência é só o ponto de partida da biografia de Ayaan. Em Infiel, ela faz um retrato da sociedade somali: seus clãs, sua cultura, a religiosidade… Nascida e criada dentro da religião muçulmana, e tendo morado inclusive na cidade de Meca, Ayaan narra a sua vida e a das mulheres com quem conviveu sob a opressão e a brutalidade do Islã. Ela chegou a ser espancada pelo imã que lhe lecionava o corão e quase foi morta de pancada pela própria mãe. Ayaan chegou a conhecer o fundamentalismo e combater o ocidente. A virada na sua vida se deu quando, contra a sua vontade, o pai arranjou-lhe casamento com um somaliano que morava no Canadá. No momento em que Ayaan pegou o avião para ir viver com o marido, aproveitou-se de uma escala na Europa para fugir e pedir refúgio na Holanda. Na Europa ela teve o seu primeiro choque com os valores do ocidente: via as mulheres livres, impressionava-se com as pessoas que lhe ajudavam e eram simpáticas sem querer nada em troca. Como refugiada na Holanda Ayaan recomeçou sua vida: trabalhou e conseguiu a cidadania, aprendeu a língua holandesa e conseguiu se matricular em ciência política na Universidade de Leiden. Estudando o trabalho dos filósofos, especialmente após a leitura do Manifesto Ateísta, Ayaan passou por um enorme cisma com suas crenças, sofreu o abalo de considerar que toda a estrutura ideológica do mundo em que vivera, pautado na retórica do Corão, era ficção, e nem o inferno que ela tanto temia e nem Alá existiam. Como resultado, em 2002 Ayaan afirmou-se ateísta – e o rompimento com a religião foi inevitavelmente um rompimento com a sua família. Depois de formada entrou para a política na Holanda, onde foi deputada de 2003 a 2006. Escreveu a sua biografia, virou crítica do Islã e ativista para a liberação das mulheres muçulmanas, como resultado, recebeu inúmeras ameaças de morte. Em 2004, em parceria com o cineasta Theo van Gogh, idealizou o curta-metragem Submission, sobre a realidade da mulher no Islã. As ameaças contra a vida de Ayaan explodiram, e ela contou com a proteção da polícia holandesa, mas Theo van Gogh foi assassinado na rua a facadas, e sobre o corpo dele foi deixada uma carta dizendo que a próxima vítima seria Ayaan. Atualmente ela mora nos EUA e continua com o seu ativismo, vivendo cercada de seguranças.

É difícil resenhar um livro tão profundo em tão poucas linhas e conseguir comunicar a dimensão dessa história. Há uma certa semelhança entre a biografia de Ayaan e a de Waris Dirie, a Flor do Deserto – com o detalhe de que a história da “infiel” tem menos glamour, mais violência e o fator “sorte” deu lugar a uma força de vontade invejável.

A trajetória de Ayaan Hirsi Ali é impressionante; uma mulher que escapou por uma porta inacreditável e teve coragem de vir a público enfrentar a truculência terrorista pedindo pelo fim de uma era de barbárie."


sábado, 18 de dezembro de 2010

Papisa Joana

Para mim é tão fácil acreditar na existência da Papisa Joana quanto é para os religiosos fanáticos chamá-la de lenda ou fábula e para os pesquisadores preguiçosos avançar em documentos históricos só até onde lhes é conveniente catapultando, mais uma vez, a existência de Joana Angelicus (Johanna Anglicus).

Assim como aconteceu com Hipátia e Frida Kahlo, não existe consenso e sobram especulações sobre a causa da morte de Joana, aquela que teria sido a única mulher a governar a Igreja Católica. Após ser descoberta (ela fingiu ser um homem durante muitos anos): sangrou até a morte ao sofrer um aborto no meio da rua durante uma procissão, foi amarrada e arrastada por cavalos pelas ruas, foi apedrejada, ou foi enviada a um convento onde viveu enclausurada até morrer?

Que diferença faz? O que realmente importa é que de alguma forma ela sobreviveu a séculos e centenas de tentativas de ser definitivamente apagada da memória coletiva. Cabe a nós conhecer, honrar e compartilhar a sua história.

Para quem gosta de ler:

A Donna Woolfolk Cross escreveu esse livro em 1996 e ele foi adaptado para o cinema e lançado em 2009:

Existe também um outro filme sobre a Papisa Joana chamado Pope Joan que foi lançado bem antes, em 1972, e estrelado pela Liv Ullmann.



Leia mais sobre a Papisa Joana
:
A papisa Joana" de Rosemary e Darroll Perdoe; (Ibrasa: São Paulo: 1990. Biblioteca Histórica, etc; vol. 38
http://janeentrelinhas.blogspot.com/2010_10_21_archive.html
http://www.iasdemfoco.net/papas/estudos/36.htm
http://www.sedentario.org/colunas/teoria-da-conspiracao/o-alcorao-e-a-papisa-joana-9637

domingo, 12 de dezembro de 2010

Frida Kahlo


Frida Kahlo é sem sombra de dúvidas um dos meus úteros vazios favoritos.

Sinto como se a vida e a obra dela fossem o suficiente para serem estudadas por séculos a fio sem o menor risco de que eu venha a sentir tédio ou desinteresse. Mas, já que existem tantas outras mulheres sem filhos a serem descobertas e tantas outras que já descobri e sobre as quais estou pesquisando, me sinto forçada a limitar a minha homenagem à Frida a apenas alguns posts. Este é o primeiro deles.

Frida nasceu no dia 06 de julho de 1907 no México. Filha de pai alemão (há quem diga que era húngaro) e mãe mexicana. A terceira de quatro irmãs, sem contar as duas irmãs mais velha nascidas do primeiro casamento do pai.

Em 1913, aos 6 anos de idade, contraiu Poliomielite que causou uma lesão no seu pé direito e a deixou manca. Passou a usar calças e saias longas que viraram a sua marca registrada.

Na adolescência freqüentou aulas de desenho e modelagem, embora não pensasse em seguir a carreira artística. Aos 18 anos sofreu um grave acidente. O ônibus em que estava bateu em um bonde. Sofreu diversas fraturas, a maioria causada por uma barra de ferro que perfurou as costas, atravessou a pélvis e saiu por sua vagina.

Frida ficou presa a uma cama, foi obrigada a usar diversos coletes ortopédicos e levou meses para se recuperar, apesar de nunca ter de fato conseguido fazê-lo completamente. Nesse meio tempo, após desenhar e colorir o gesso branco dos seus coletes até não haver mais espaço, começou a pintar a si mesma com uma caixa de tintas velhas, um cavalete e um espelho adaptado à cama – todos presente do pai.

"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade".
Foi assim, mergulhada em sofrimento, que Frida deixou de ser um corpo doente e passou a ser uma alma onipresente em telas pintadas de forma compulsiva dia após dia. E é por isso que a obra dela é uma catarse colorida de todas as suas dores. Porque os seus quadros são testemunhos das transformações sofridas pelo seu corpo e impostas por doenças e acidentes;


do conturbado casamento com Diego Riviera − que ao todo durou 25 anos, e foi marcado por uma longa separação e muitos amantes (de ambos, sendo que os dela eram homens e mulheres);


assim como do enorme desejo de ser mãe que não pôde ser realizado já que o seu corpo frágil não foi capaz de suportar e levar até o final as poucas vezes em que conseguiu engravidar.


Quer tenha sido por embolia pulmonar, overdose ou envenenamento, o que se sabe com toda a certeza é que, ao ser encontrada morta no dia 13 de julho de 1954, Frida partiu não apenas com um útero vazio, mas com um alívio que fez questão de registrar na última página do seu diário:

"Espero alegremente a saída − e espero nunca mais voltar − Frida".

Nicole Rodrigues



Fontes:
http://fkahlo.com/
http://uminha.tripod.com/fridabio.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guillermo_Kahlo
http://www.pbs.org/weta/fridakahlo/life/gallery_couple_6.html
http://www.tempo.tempopresente.org/index.php?option=com_content&view=article&id=5394%3Aresenha-frida&catid=106&Itemid=146&lang=pt

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Isabella Bird: escritora, viajante e exploradora



Autora: Lisanea Weber Machado


No século XIX, os escritos femininos de viagens constituíam um novo gênero literário, através do qual viajantes mulheres podiam transmitir, de maneira mais subjetiva que nos escritos de homens, as realidades por elas confrontadas em suas “aventuras” em novas terras. Suas experiências de viagem, porém, não estão registradas na história oficial, em tratados e documentos oficiais, mas em forma de cartas e diários. Apesar das dificuldades enfrentadas para obter reconhecimento em uma sociedade ainda estritamente patriarcal, algumas mulheres aventuraram-se a sair de sua esfera doméstica em busca de um novo mundo.


A citação abaixo declarada pela Royal Geographical Society, como forma de protesto pela admissão de Isabella Bird em 1892, por ser ela a primeira mulher a fazer parte da sociedade, exemplifica o preconceito explícito de seus contemporâneos do sexo masculino.


A Lady an explorer? A traveller in skirts?
The notions just a trifle too seraphic:
Let them stay and mind the babies, or mend our ragged shirts;
But they mustn’t, can’t, and shan’t be geographic.
(THE UNIVERSITY OF HONG KONG, 2005)


Uma dama exploradora? Uma viajante de saias?
Noções um tanto quanto angelicais:
Deixe-as onde estão ocupadas com bebês, ou imendando nossas camisas rasgadas;
Mas elas não devem, não podem e não serão geográficas.
(UNIVERSIDADE DE HONG KONG, 2005)

[tradução: Nicole Rodrigues]



(...)

Isabella Lucy Bird ultrapassou as barreiras do convencional, ou seja, deixou de lado a vida circunscrita de uma típica mulher vitoriana de classe média para transformar-se em uma viajante determinada e perspicaz. Seus livros de viagem, que ainda nos dias de hoje informam e entretêm, a fizeram uma das mais conhecidas mulheres da Inglaterra vitoriana. Bird viajou sozinha para o Havaí, Estados Unidos, Nova Zelândia, Japão, Índia e China. Ela foi uma das poucas mulheres de sua época que conseguiram adentrar pelo mundo das atividades masculinas de aventura, afirmando-se, assim, como uma astuta feminista. Suas idéias estão muito bem expostas em A woman’s right to do what she can do well. Marrocos foi o último destino desta importante viajante no exterior. A partir de suas viagens ela escreveu The Englishwoman in America (1956), The Hawaiian Archipelago (1875), A lady’s life in the Rocky mountains (1876), Unbeaten Tracks in Japan (1880), The Golden Chersonese and the way thither (1883), um diário sobre a viagem à Malásia, escreveu também Journeys in Persia and Kurdistan (1891), Korea and her Neighbours (1898), e The Yagtze Valley and Beyond (1899).


Isabella Bird casou uma única vez, um pouco antes de completar 50 anos, não teve filhos e morreu aos 72 anos. Ela tinha planos de visitar a China uma segunda vez.



Fontes
trecho da Dissertação de Lisanea Weber Machado:
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/24839/000741932.pdf?sequence=1
informações pessoais:
http://en.wikipedia.org/wiki/Isabella_Bird

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